O YouTube começou a restringir o acesso de usuários com exigência de verificação de idade, após ampliar um sistema de inteligência artificial que estima se uma conta pertence a menores de 18 anos. Até o momento, os relatos vêm de Estados Unidos e Europa, sem registros de bloqueios no Brasil.
A plataforma avalia histórico de vídeos, idade da conta e outros sinais de comportamento para aplicar restrições automaticamente. Perfis identificados como menores têm acesso a vídeos restritos bloqueado, recomendações ajustadas, anúncios desativados e uploads definidos como privados. Para reverter a limitação, o usuário precisa enviar comprovação de idade, que pode incluir dados de cartão de crédito e selfies.
Especialistas em privacidade criticam a medida. David Greene, da Electronic Frontier Foundation (EFF), afirma que a coleta de dados biométricos é “assustadora e inibidora” para quem depende do anonimato, como dissidentes políticos ou vítimas de abuso. Suzanne Bernstein, do EPIC, alerta sobre a dificuldade de confiar nas promessas das empresas sobre uso seguro das informações.
O YouTube justifica a mudança como proteção ao público jovem, mas admite que adultos que consomem conteúdo infantojuvenil podem ser afetados. A medida também pode reduzir a receita de anúncios, já que menores de 18 anos só recebem publicidade não personalizada.
No Brasil, a exigência de documentos de identificação e dados biométricos em redes sociais é debatida no PL das Fake News (PL 2630/2020), mas ainda não há implementação da verificação de idade pelo YouTube.



