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Powell: Trump usa ameaça criminal para forçar corte de juros e minar independência do Fed

O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome H. Powell, acusou o presidente Donald Trump de usar uma ameaça de ação criminal como tática de pressão para influenciar a política de juros da instituição. Em um comunicado divulgado neste domingo, Powell revelou ter recebido uma notificação do Departamento de Justiça sobre uma possível denúncia criminal relacionada a um projeto de reforma nos edifícios do banco central americano.

Powell classificou a ação como sem precedentes e destacou que ela deve ser analisada dentro de um contexto de contínuas pressões por parte do governo. Ele argumenta que a ameaça criminal não tem relação com as reformas, mas sim com a autonomia do Fed em definir as taxas de juros com base em análises econômicas, e não por conveniência política.

“Esses são pretextos. A ameaça de acusações criminais é uma consequência de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente [Trump]”, afirmou Powell. Ele questionou se o Fed continuará a operar com base em evidências ou se a política econômica será ditada por pressões políticas e intimidação.

Donald Trump, ao ser questionado sobre o assunto, negou conhecimento da investigação e criticou a gestão de Powell no Fed e em projetos de construção. “Não sei nada sobre isso, mas certamente ele não é muito bom no Fed, e não é muito bom em construir prédios”, declarou Trump à NBC News, minimizando a relação entre a acusação e a política de juros. Ele reiterou que a única pressão sobre Powell deveria ser o nível das taxas de juros.

Desde o início de seu segundo mandato, Trump tem expressado insatisfação com Powell, criticando a falta de cortes significativos nas taxas de juros e chegando a ameaçar sua demissão. O mandato de Powell como presidente do Fed expira em maio, abrindo a possibilidade de Trump indicar um substituto.

A situação gerou fortes críticas sobre a interferência do Poder Executivo na independência do Banco Central dos Estados Unidos. O senador republicano Thom Tillis, membro do Comitê Bancário do Senado, anunciou que se oporá à nomeação do sucessor de Powell até que a questão legal seja resolvida. “Se ainda restava alguma dúvida sobre se os assessores do governo Trump estão ativamente pressionando para acabar com a independência do Federal Reserve, agora não deve haver nenhuma. Agora, a independência e a credibilidade do Departamento de Justiça estão em questão”, escreveu Tillis em redes sociais.

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