Teerã, Irã – Em resposta aos recentes distúrbios que abalaram o país, milhares de iranianos participaram de manifestações pró-regime no domingo e segunda-feira, expressando apoio à República Islâmica e condenando o que descrevem como interferência estrangeira. Os protestos em apoio ao governo surgem em meio a relatos não oficiais que indicam a morte de centenas de manifestantes e forças de segurança desde o início das agitações.
As manifestações antigovernamentais, que eclodiram no final do ano passado, ganharam atenção internacional, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo a possibilidade de uma intervenção para auxiliar os manifestantes. Em contrapartida, o governo iraniano tem divulgado vídeos que, segundo alega, mostram manifestantes armados e envolvidos em atos de vandalismo, atribuindo a violência a influências externas com o objetivo de desestabilizar o país.
Bruno Lima Rocha, jornalista e especialista em relações internacionais, analisa que a situação, iniciada como um protesto legítimo contra o custo de vida, evoluiu para uma crise com potencial de intervenção externa. “Diante de uma questão de soberania, a população foi convocada pelas forças que compõem a República, e tem essa multidão na rua”, explicou Rocha, que também atua como editor da Hispan TV Brasil.
O especialista aponta que a violência observada nos protestos e as declarações de Trump sobre possíveis ações militares contribuíram para o isolamento dos manifestantes antigovernamentais. “Parece que tem uma política de incentivo para elevar o nível de violência e, quem sabe, fazer o país ser atacado de novo. Isso ninguém vai admitir. Isso isola o protesto e fica como se fosse uma traição nacional e vai se criando um grande consenso contra os distúrbios antigoverno”, acrescentou.
No domingo, Trump declarou que os militares americanos estavam avaliando opções de ação em relação ao Irã, com a possibilidade de decisões serem tomadas antes de uma eventual reunião com líderes iranianos. O Ministério das Relações Exteriores do Irã convocou embaixadores de países que apoiaram os protestos, apresentando vídeos que, segundo o governo, demonstram atos violentos e sabotagem organizada por parte dos manifestantes.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que, embora protestos pacíficos sejam tolerados, os recentes distúrbios foram provocados por “terroristas do estrangeiro”, citando incidentes de violência extrema contra forças de segurança e danos a propriedades. Autoridades iranianas acusam serviços de inteligência dos EUA e de Israel de fomentarem os distúrbios com o objetivo de promover uma nova guerra.
Rocha ressaltou que os protestos originais foram desencadeados pelo aumento da inflação e do custo de vida, especialmente após o fim de subsídios para importação de alimentos. Ele sugere que a escalada da violência pode ter sido influenciada por grupos separatistas, frustração de jovens e interesses externos que buscam o fim da República Islâmica. “Enquanto o Irã não se subordinar à hegemonia do Ocidente, o país vai ser visto como o alvo permanente do imperialismo”, concluiu o especialista.



