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Setor Automotivo Brasileiro: Produção Prevê Crescimento Sólido de 3,7% em 2026

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou projeções otimistas para o setor automotivo brasileiro em 2026, estimando um crescimento de 3,7% na produção nacional. A expansão será liderada principalmente pela categoria de veículos leves, composta por automóveis e comerciais leves, que devem registrar um aumento de 3,8% na produção. O licenciamento desses veículos também deve acompanhar a tendência de alta, com uma previsão de crescimento em torno de 2,7% para o período.

Apesar do otimismo geral, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou em coletiva de imprensa que o setor ainda enfrenta um cenário de “otimismo contido”. Ele ressaltou a persistência de fatores de imprevisibilidade, como as tensões geopolíticas que podem impactar a cadeia de suprimentos, e a iminência da entrada em vigor da reforma tributária. Diante disso, a Anfavea planeja revisar suas projeções trimestralmente para acompanhar de perto os desdobramentos.

Em 2025, a produção de veículos no Brasil atingiu 2,6 milhões de unidades, um avanço de 3,5% em relação ao ano anterior, mantendo o país na oitava posição no ranking mundial. As vendas totais somaram 2,69 milhões de unidades, com um crescimento de 2,1%, consolidando o Brasil na sexta colocação global em volume de mercado. Contudo, esses resultados ficaram aquém das expectativas iniciais da Anfavea, que projetava um crescimento de 7,8% na produção e 5% no licenciamento.

Calvet atribuiu os resultados de 2025 à instabilidade geoeconômica e a fatores como a taxa de juros, que subiu de 12% para 15% durante o ano, impactando a sensibilidade do mercado automotivo. A discussão sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também foi mencionada como um fator de influência.

No comércio exterior, o setor automotivo brasileiro apresentou um desempenho positivo em 2025, com as exportações crescendo 32,1% e totalizando quase 529 mil unidades. O principal destino foi a Argentina, com um aumento de 85% nas exportações. As importações, por outro lado, cresceram 6,6%, com destaque para veículos provenientes da China, que representaram 37,6% das quase 500 mil unidades importadas. Para 2026, a expectativa é de uma desaceleração nas importações devido à entrada de novos fabricantes no mercado nacional. As exportações, por sua vez, devem crescer cerca de 1,3%.

A reforma tributária é uma das principais preocupações para 2026, especialmente a definição da alíquota que incidirá sobre o setor automotivo, gerando dificuldades de planejamento. A perda de competitividade em mercados tradicionais da América do Sul também é um desafio. No segmento de caminhões, a produção caiu 46,4% e os emplacamentos recuaram 9,2% em 2025, impactados pelas altas taxas de juros. O programa Move Brasil, com linhas de crédito acessíveis, é visto como uma medida crucial para reverter essa tendência e impulsionar o setor de caminhões.

COLUNISTAS

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