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Mãe de Oruam é alvo de operação da Polícia Civil contra o Comando Vermelho

A Polícia Civil do Rio de Janeiro procura por Márcia Gama Nepomuceno, mãe do rapper Oruam e esposa do traficante Marcinho VP. Ela é suspeita de atuar como intermediária do Comando Vermelho fora do sistema prisional, facilitando a comunicação e articulações da organização com o marido, que está preso.

A busca pela suspeita ocorre durante a Operação Contenção Red Legacy, deflagrada nesta quarta-feira (11) pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD). A ação tem como alvo a estrutura nacional da facção criminosa, que, segundo investigadores, opera com características semelhantes às de um cartel e possui atuação interestadual altamente organizada.

De acordo com a polícia, as investigações reuniram provas que apontam para uma estrutura hierárquica consolidada dentro da organização, com cadeia de comando, divisão territorial e articulação entre integrantes em diversos estados do país.

Até o momento, seis pessoas foram presas durante a operação, entre elas o vereador Salvino Oliveira. Ao chegar à Cidade da Polícia, complexo que reúne diversas delegacias da capital fluminense, o parlamentar afirmou ser vítima de perseguição política.

Segundo as autoridades, familiares de lideranças do grupo também participariam da estrutura da facção. No caso de Márcia Gama, ela teria papel ativo na comunicação entre membros presos e operadores que atuam fora das penitenciárias.

Mesmo encarcerado há quase três décadas, Marcinho VP continua sendo apontado pela polícia como uma das principais lideranças do Comando Vermelho, integrando um suposto conselho nacional permanente da organização.

As investigações também indicam a existência de uma estrutura criminosa complexa, formada por conselhos nacionais e regionais, além de articulações com organizações de diferentes estados. Há ainda indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital.

Entre os investigados está ainda Landerson, sobrinho de Marcinho VP, apontado como responsável por intermediar a comunicação entre lideranças da facção e integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo. Ele também seria responsável por fazer a ponte com pessoas envolvidas em atividades econômicas usadas para gerar recursos para a organização.

Outro ponto apurado pela polícia envolve a atuação do vereador Salvino Oliveira, que teria negociado com o traficante Edgar Alves de Andrade autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul. Em troca, segundo a investigação, o parlamentar teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas aos moradores da região.

Entre os casos investigados está a instalação recente de quiosques na comunidade, com parte dos beneficiários escolhida diretamente por integrantes da facção, sem processo de licitação pública.

A apuração também identificou situações em que criminosos se passavam por policiais militares para obter vantagens ilegais, incluindo vazamento de informações e simulação de operações.

Além dos nomes já citados, a investigação aponta outros integrantes considerados estratégicos dentro da organização criminosa, como Luciano Martiniano da Silva, conhecido como “Pezão”, responsável pela gestão financeira, e Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, encarregado de executar determinações da cúpula da facção.

COLUNISTAS

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