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Caso Master completa cinco meses com R$ 29 bilhões bloqueados e 14 prisões

A operação que investiga fraudes envolvendo o Banco Master completa cinco meses neste sábado (18), com um total de R$ 29 bilhões em bens bloqueados e 14 mandados de prisão cumpridos desde o início das investigações.

Deflagrada em novembro de 2025 pela Polícia Federal, a Operação Compliance Zero apura um esquema bilionário que, ao longo de suas fases, passou a incluir suspeitas de corrupção, obstrução de Justiça e ameaças. A etapa mais recente, realizada na quinta-feira (17), teve como foco operações envolvendo o BRB (Banco de Brasília).

Nesta fase, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão. Entre os detidos está o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Cunha, acusado de receber seis imóveis como propina para viabilizar negociações consideradas fraudulentas. Ele foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda e aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que deve julgar a manutenção de sua prisão na próxima semana.

A primeira fase da operação concentrou-se em supostas fraudes na compra e venda de créditos entre o Banco Master e o BRB, com uso de ativos inexistentes como garantia. Na ocasião, foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva, incluindo o do empresário Daniel Vorcaro, dono do banco, além de quatro diretores da instituição.

Na segunda etapa, as investigações avançaram para possíveis fraudes no sistema financeiro nacional, com estruturas envolvendo fundos de investimento. O bloqueio de bens chegou a R$ 5,7 bilhões, e houve a prisão temporária de um aliado de Vorcaro.

O caso também gerou repercussão no STF. O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria após questionamentos internos, sendo substituído por André Mendonça, que passou a conduzir o processo.

Na terceira fase, foram investigadas suspeitas de obstrução de Justiça e ameaças, incluindo ações contra jornalistas. Novas prisões foram decretadas, entre elas novamente a de Vorcaro. Um dos investigados, Luiz Phillipi Mourão, apontado como operador do esquema, morreu após atentar contra a própria vida enquanto estava sob custódia.

Também nessa etapa, dois servidores do Banco Central foram afastados por suspeita de repassar informações privilegiadas ao grupo investigado. O total de valores bloqueados subiu para R$ 22 bilhões.

Próximos desdobramentos

As investigações continuam e podem avançar com uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro. A defesa sinalizou ao STF a intenção de apresentar uma colaboração considerada relevante, que pode envolver autoridades dos Três Poderes. A expectativa é que o material seja entregue em maio.

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