O governo dos Estados Unidos anunciou a proposta de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil. A medida foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que concluiu uma investigação iniciada em julho de 2025 sobre práticas comerciais brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos.
De acordo com o relatório, políticas relacionadas ao comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal estariam impondo restrições ao comércio dos Estados Unidos.
A proposta prevê a cobrança da tarifa sobre produtos brasileiros a partir de 15 de julho de 2026, mas inclui uma série de exceções. Ficaram de fora da medida itens como carne bovina, café, terras raras, determinados metais e minérios, além de aeronaves e peças aeronáuticas. Também estão isentos petróleo bruto e derivados, fertilizantes, produtos farmacêuticos, químicos orgânicos, frutas e nozes.
Segundo o governo norte-americano, as exclusões visam evitar impactos na economia dos EUA e garantir o abastecimento de produtos considerados estratégicos ou com oferta limitada no mercado interno.
O anúncio foi feito na segunda-feira (1º), juntamente com a abertura de uma consulta pública sobre as possíveis medidas. Interessados poderão enviar manifestações até 1º de julho, enquanto uma audiência pública está prevista para 6 de julho.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a investigação foi conduzida a pedido do presidente Donald Trump e citou preocupações antigas do governo norte-americano em relação a determinadas políticas comerciais brasileiras.
Greer destacou que as negociações entre os dois países foram intensificadas nas últimas semanas, mas reconheceu que ainda existem divergências relevantes. Segundo ele, o diálogo com o governo brasileiro continuará antes da decisão final sobre a adoção das tarifas.
A investigação reuniu mais de 30 depoimentos e recebeu cerca de 300 contribuições ao longo do processo. A decisão definitiva sobre a aplicação da tarifa deverá ser tomada até 15 de julho.



