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Massagista Dico Paiva

Por José Rocha – Nasceu em 10 de abril de 1902, em Terra Alencarina (Ceará). No ano seguinte, veio com seus pais para Manaus, onde foi registrado como amazonense, com o nome oficial de Raimundo Ferreira Paiva, ficando conhecido pelo apelido de Dico Paiva.

Estudou na Escola Técnica do Amazonas e foi morador antigo do bairro de Cachoeirinha, sendo considerado pela história como um dos ilustres habitantes do primeiro bairro planejado de Manaus. Casou-se com a senhora Olinda Mateus de Paiva, em 1922, com quem teve sete filhos.

Foi jogador de futebol de campo, atuando como quarto zagueiro do Manaus Esporte. Jogou também no Euterpe, em 1927, encerrando sua carreira no futebol no Internacional, da Rua Visconde de Porto Alegre.

Ficou realmente famoso na condição de “massagista”, sendo considerado um dos melhores do futebol do passado. Era respeitado inclusive pelos médicos ortopedistas. Tornou-se conhecido em toda a cidade, sendo procurado para tratar fraturas, atendendo desde pessoas humildes até figuras importantes da esfera administrativa e política de Manaus.

Para entendermos melhor, o termo massagista designa o profissional que aplica técnicas de massagem com fins terapêuticos, esportivos ou de bem-estar. Trata-se de uma pessoa habilitada a realizar manobras manuais sobre músculos e tecidos, com o objetivo de aliviar dores, reduzir tensões, melhorar a circulação e favorecer a recuperação física. No contexto esportivo, o massagista é parte essencial das equipes, cuidando da preparação e recuperação dos atletas, tratando lesões leves e auxiliando na prevenção de problemas musculares.

Transformou-se em uma figura lendária na história do esporte amazonense, cuidando da saúde física dos atletas da época. Foi campeão pelo Nacional em 1958 e contratado, em 1963, pelo Atlético Rio Negro Clube, destacando-se como massagista nas décadas de 1960 e 1970. Sua trajetória é lembrada até hoje na memória esportiva local, por acompanhar delegações históricas, como a excursão do Rio Negro a Boa Vista em 1963.

Em 1965, foi agraciado pela ACLEA como o Melhor Massagista do Ano. Em 1980, a Câmara Municipal de Manaus prestou-lhe uma homenagem.

Atuou também no São Raimundo, na Rodoviária e no Olímpico Clube, onde “O Baú Velho” registrou uma fotografia de 1972, mostrando Dico Paiva e sua equipe realizando uma “recauchutagem” perfeita no rosto de um atleta do Olímpico.

Em 1978, mudou-se para a Rua Lauro Cavalcante, onde atendia em sua própria casa os moradores da redondeza, incluindo os do Igarapé de Manaus. Recordo-me de levar meu saudoso pai para receber massagens após sequelas de um AVC. Seu “consultório” estava sempre cheio de pacientes. Possuía um dom especial, chegando a ser considerado um ortopedista prático, curando muita gente, inclusive filhos de médicos da cidade.

Dico Paiva faleceu em 1996, aos 94 anos, ficando para sempre na história de nossa cidade.

Fontes: Livro ‘Lembranças do Futebol e do Rádio Amazonense, de Nicolau Libório’, Jornais digitalizados da Biblioteca Nacional e BLOGDOROCHA

Os artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores. É permitida sua reprodução, total ou parcial desde que seja citada a fonte.

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