O empresário Eloir Paulo Palchiner será julgado nesta terça-feira (21), na 4ª Vara da Justiça Federal, por crimes relacionados à redução de trabalhadores a condição análoga à escravidão, além de falsificação, adulteração e corrupção de produtos alimentícios.
Ele foi preso em flagrante em 14 de maio de 2024, durante a Operação Alforria, coordenada pelo 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Segundo as investigações, seis venezuelanos eram mantidos em cárcere privado e submetidos a condições degradantes em um galpão frigorífico no bairro Mauazinho, na Zona Leste de Manaus.
Conforme a Polícia Civil, os trabalhadores eram obrigados a adulterar as datas de validade de produtos alimentícios que, posteriormente, eram distribuídos e comercializados clandestinamente em Manaus.
As investigações começaram após a Polícia Civil receber informações da Vigilância Sanitária sobre a venda irregular de produtos impróprios para o consumo. Durante o trabalho de apuração, os investigadores identificaram veículos utilizados no transporte e na distribuição dos alimentos.
No decorrer das diligências, funcionários de uma empresa próxima informaram aos policiais que estrangeiros estariam sendo mantidos em condições semelhantes à escravidão no local. Diante da denúncia, os agentes anteciparam a ação e foram até o galpão, onde encontraram as vítimas e prenderam o suspeito.
Durante a operação, foram apreendidas cerca de 20 toneladas de produtos impróprios para o consumo, além de máquinas, impressoras portáteis e produtos químicos que seriam utilizados para alterar as datas de validade nas embalagens dos alimentos.
Investigações e perícias realizadas pela Polícia Civil apontaram que os trabalhadores eram mantidos trancados no galpão frigorífico, sem equipamentos de proteção e em condições consideradas insalubres. Segundo os relatos reunidos no inquérito, eles eram obrigados a se alimentar no mesmo ambiente onde ficavam os cães responsáveis pela segurança do imóvel.
Ainda conforme a polícia, os trabalhadores não tinham acesso a instalações adequadas para realizar necessidades fisiológicas e precisavam utilizar espaços improvisados dentro da câmara frigorífica. O local também era usado como área de depósito e não oferecia acesso adequado à água potável.
A operação resultou na libertação dos seis venezuelanos, que, segundo as investigações, eram submetidos a um regime de exploração semelhante à escravidão.



