O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já negou, em pelo menos duas ocasiões, qualquer relação entre as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil e a empresa Smartmatic, mencionada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) durante um encontro com embaixadores, em Brasília.
Pré-candidato à Presidência da República, Flávio afirmou que “muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”. A Smartmatic forneceu sistemas de votação para eleições na Venezuela e foi citada em um relatório da CIA, o serviço de inteligência dos Estados Unidos.
Segundo o documento, o governo venezuelano teria capacidade de manipular sistemas eletrônicos de votação dentro do próprio país. A análise, no entanto, aponta que a Smartmatic e o governo da Venezuela não teriam capacidade de interferir em eleições realizadas fora do território venezuelano.
Em 2020, o TSE esclareceu que o Brasil não utiliza urnas ou softwares fornecidos pela Smartmatic. De acordo com a Corte, o sistema eletrônico de votação foi desenvolvido e é administrado integralmente pela Justiça Eleitoral brasileira.
A empresa chegou a participar de uma licitação para fabricar urnas eletrônicas no país, mas perdeu a disputa para a Positivo. O TSE reforçou que a Smartmatic nunca forneceu urnas ao Brasil nem participou da programação dos equipamentos.
Dois anos depois, em 2022, o tribunal voltou a negar informações falsas sobre um suposto acesso da empresa ao software das urnas brasileiras.
Na ocasião, o TSE afirmou que o sistema eletrônico de votação utiliza meios próprios e criptografados para comunicação e transmissão de dados, sem conexão com redes públicas, como a internet.
A Corte também esclareceu que a Smartmatic já prestou serviços ao TSE em outras ocasiões, mas apenas na área de conexão de dados e voz, sem participação no desenvolvimento ou na operação das urnas eletrônicas.



