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A Boca do Diabo: um filme de tubarão que afunda em seus próprios erros

Por Vinícius Andrade – Fala, galera do Cinemando!

Hoje eu vim trazer a crítica de A Boca do Diabo, novo filme de tubarão do Prime Video. Afinal, todo ano parece que surge um novo longa do gênero, seja para a TV, para os cinemas ou para o streaming. Cada estúdio faz a sua aposta da maneira que pode.

Dessa vez, o Prime Video entrega um filme que não chega a ser bom a ponto de você dizer que é um filmaço, mas também não é ruim o suficiente para ser considerado um desastre completo. É uma produção que fica justamente nesse meio-termo, com alguns acertos, vários tropeços e uma proposta que poderia ter rendido muito mais.

Então, bora falar um pouquinho sobre essa nova empreitada do Prime Video.

Mas bora começar falando dos pontos negativos. O primeiro deles é o elenco. Temos Kathryn Newton como protagonista e, mais uma vez, ela ganha um papel de destaque para mostrar seu potencial. Só que, sinceramente, eu continuo não comprando as atuações dela.

Não sei se é uma implicância minha, mas acho a Kathryn Newton uma atriz muito limitada. É difícil enxergar verdade nas interpretações dela. Assim como em outros trabalhos, ela parece interpretar sempre a mesma personagem, sem conseguir transmitir nuances ou dar mais profundidade às emoções. Aqui, ela tinha a oportunidade de carregar o filme nas costas, mas acaba entregando uma atuação bastante apagada.

E quando eu digo que o restante do elenco não ajuda, é porque realmente ninguém consegue elevar a qualidade da produção. Temos o ator que ficou conhecido pela série O Verão Que Mudou Minha Vida, do Prime Video — se eu esqueci o nome dele, podem me xingar nos comentários depois. Também temos Lana Condor, protagonista da trilogia Para Todos os Garotos que Já Amei, da Netflix.

Confesso que tenho um pouco mais de simpatia pela Lana Condor. Talvez seja pelo carisma que ela demonstrou na trilogia da Netflix, que acabou conquistando o público. Só que, aqui, nem ela consegue fazer muita coisa. O roteiro é fraco, os personagens são rasos e, consequentemente, as atuações também acabam sendo prejudicadas.

E, falando do filme em si, ele também é bastante superficial. A proposta de colocar um grupo preso dentro de uma caverna enquanto um tubarão ronda o local é interessante no papel, mas está longe de ser original. Esse tipo de premissa já foi explorado diversas vezes, inclusive em filmes de crocodilos gigantes e de outras criaturas.

É um filme com menos de duas horas de duração e, mesmo assim, eu não consegui evitar de pegar o celular em alguns momentos. O longa perde muito tempo tentando construir um drama entre os personagens, mostrando a tensão e o desespero daquela situação, mas o problema é que ele não consegue transmitir esse peso para o público.

A sensação é que estamos apenas acompanhando personagens passando por dificuldades, mas sem realmente sentir o perigo junto com eles.

E aí chegamos ao principal elemento desse tipo de filme: o tubarão. E, cara, o CGI é tão ruim que chega a tirar completamente a credibilidade das cenas. Quando o animal aparece, parece algo feito às pressas. Não existe realismo nos momentos de ataque, e os efeitos especiais acabam prejudicando ainda mais uma produção que já sofre com um roteiro fraco e atuações pouco convincentes.

No fim das contas, A Boca do Diabo não consegue passar credibilidade em praticamente nenhum dos seus aspectos: roteiro, efeitos visuais ou atuações.

Inicialmente, eu tinha dado nota 5,5 para o filme, mas, analisando melhor tudo aquilo que a produção entrega, preciso rever minha avaliação. Porque, sendo sincero, é um filme que acaba sendo uma experiência bastante frustrante. Não é uma obra que me fez perder apenas duas horas assistindo, mas sim um filme que me fez questionar se esse tempo realmente valeu a pena.

E analisando melhor, A Boca do Diabo era um filme que tinha tudo para dar certo. Um filme de tubarão, gente, não precisa necessariamente de um roteiro extremamente complexo ou de atuações dignas de Oscar. O que ele precisa é saber utilizar os elementos que fazem esse tipo de produção funcionar.

E, infelizmente, o filme não consegue fazer isso.

É uma produção rasa, com personagens pouco desenvolvidos, sem grandes momentos de tensão e sem cenas realmente marcantes. Falta aquele sentimento de perigo, aquela vontade de saber como os personagens vão conseguir escapar daquela situação.

E olha que existem vários exemplos de filmes de tubarão que mostram que não é preciso um orçamento gigantesco para entregar algo divertido. Temos Do Fundo do Mar, por exemplo, que está longe de ser uma obra-prima, mas sabe exatamente o que quer ser. Mesmo com efeitos que hoje podem parecer um pouco datados, o filme entende como criar momentos de suspense e como utilizar o seu animal assassino na hora certa.

Também temos produções de crocodilos gigantes, como Morte Súbita, que seguem uma proposta parecida: personagens presos em um ambiente limitado, uma ameaça constante e a necessidade de criar tensão a partir daquela situação.

São filmes que sabem trabalhar com suas limitações. Já A Boca do Diabo, infelizmente, fica muito devendo nesse aspecto.

No fim das contas, acaba sendo apenas mais um filme para preencher o catálogo do Prime Video. Mas, ao mesmo tempo, eu não ficaria surpreso se ele aparecesse em breve no Top 10 da plataforma. Afinal, é uma produção que chama atenção pelo conceito: você olha para o pôster, vê um filme de tubarão em uma caverna e pensa: “poxa, isso pode ser divertido”.

Muita gente vai clicar, vai assistir pela curiosidade e, se fizer sucesso, melhor ainda para o streaming. Pelo menos o investimento não terá sido completamente desperdiçado.

Nota: 4,0/10

Filme: A Boca do Diabo

Sinopse: Cinco amigo exploram as cavernas da boca do diabo, na Tailândia, para a última aventura antes de começar a vida real. Ma logo descobrem que há algo à espreita embaixo d’água… Veloz, silêncio e letal.

Data de Lançamento: 29/07/2026

Streaming: Prime Vídeo

Elenco: Kathryn Newton, Gavin Casalegno, Lana Condor, Tommi Rose, Nico Hiraga, Tayme Thapthimthong.

Os artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores. É permitida sua reprodução, total ou parcial desde que seja citada a fonte.

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