A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) retoma os trabalhos em plenário na próxima terça-feira (4), após 30 dias de recesso parlamentar. O retorno ocorre em meio ao início da corrida eleitoral de 2026, período em que a maioria dos deputados estaduais deve disputar a reeleição.
Dos 24 parlamentares da Casa, ao menos 23 pretendem renovar seus mandatos. A deputada Alessandra Campêlo (Podemos) é a única que não buscará a reeleição ao Legislativo estadual, pois integra a chapa do senador Omar Aziz (PSD) como candidata a vice-governadora.
Os deputados voltam às atividades contando com uma estrutura composta por recursos destinados aos gabinetes, emendas parlamentares e mudanças no calendário legislativo. Desde 2025, a ALE-AM deixou de exigir a realização de sessões plenárias nas manhãs de terça, quarta e quinta-feira, medida que reduziu a frequência das reuniões presenciais e foi alvo de críticas por parte de entidades da sociedade civil.
A verba de gabinete, superior a R$ 120 mil por deputado, é utilizada para a contratação de assessores parlamentares. No entanto, a Assembleia não divulga a lista nominal desses servidores nem os salários pagos, diferentemente de outros órgãos públicos do Amazonas, o que levanta questionamentos sobre a transparência das informações.
Outro destaque é o volume de emendas parlamentares destinadas ao Orçamento do Estado. Em 2026, os deputados indicaram R$ 612,5 milhões em recursos, sendo R$ 429,8 milhões em emendas individuais e R$ 182,6 milhões em emendas de bancada. Em média, cada parlamentar destinou cerca de R$ 18 milhões para investimentos em seus redutos eleitorais.
Para especialistas, o aumento desses recursos amplia a vantagem de quem já ocupa mandato. O fundador da Central das Emendas, Bruno Bondarovsky, avalia que a distribuição de verbas pode comprometer a igualdade de condições entre candidatos e dificultar a renovação política.
Durante o recesso de julho, a ALE-AM realizou apenas duas sessões extraordinárias. Uma delas tratou de projetos de interesse do governo estadual e a outra oficializou a eleição do deputado Adjuto Afonso (União Brasil) para a presidência da Casa até 31 de janeiro de 2027, em cumprimento a uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.
Entidades representativas também criticam a redução das sessões ordinárias. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), Ana Cristina Rodrigues, afirma que a mudança dificulta o acompanhamento das atividades parlamentares e reduz os mecanismos de fiscalização por parte da população.
Além disso, o Portal da Transparência da ALE-AM deixou de disponibilizar a tabela de cargos e salários dos gabinetes parlamentares. Atualmente, a consulta aos vencimentos só pode ser feita individualmente, mediante a inserção do nome completo do servidor.
Com o retorno das atividades legislativas e a proximidade das eleições, a expectativa é de que os deputados conciliem as agendas parlamentares com os compromissos de campanha nos municípios do Amazonas.



