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A Morte do Demônio: Em Chamas prova que violência não basta para um grande filme

Por Vinícius Andrade – Hoje eu trago a crítica de A Morte do Demônio: Em Chamas. Estou devendo essa análise desde a época em que o filme estreou nos cinemas, mas finalmente chegou a hora de falar sobre ele.

Antes, porém, vale lembrar um pouco da história da franquia. A Morte do Demônio (Evil Dead) foi criada por Sam Raimi na década de 1980, tendo como protagonista o icônico Ash Williams, interpretado por Bruce Campbell. A trilogia original passou por mudanças bastante interessantes ao longo dos anos: o primeiro filme é totalmente focado no terror, o segundo mistura horror com comédia e o terceiro, que divide opiniões entre fãs e crítica, leva Ash de volta ao passado em uma aventura completamente diferente. Particularmente, eu gosto bastante desse terceiro capítulo.

É uma franquia que soube se reinventar com o passar do tempo. Além da trilogia original, tivemos uma série baseada na vida de Ash após os acontecimentos dos filmes e, a partir de 2013, Evil Dead ganhou novos rumos.

O filme dirigido por Fede Álvarez trouxe uma nova abordagem para a franquia, apostando em uma violência gráfica muito mais intensa e em um terror físico, daqueles que realmente causam desconforto e arrepios. Era uma proposta diferente da trilogia original, que, com o passar dos anos, acabou assumindo um tom mais exagerado e cômico.

Desde então, tivemos dois filmes seguindo essa nova fase. O primeiro foi o longa de Fede Álvarez, lançado em 2013, e o segundo foi A Morte do Demônio: A Ascensão, dirigido por Lee Cronin em 2023. Embora façam parte da mesma franquia, os dois contam histórias independentes, com personagens completamente novos.

No filme de Fede Álvarez, acompanhamos um grupo de amigos que vai até uma cabana isolada para ajudar Mia a enfrentar seu vício em drogas. Já o filme de Lee Cronin acompanha uma mãe tentando proteger seus filhos quando forças demoníacas são libertadas. São propostas diferentes, mas ambos possuem algo em comum: a brutalidade.

A violência gráfica se tornou uma das principais marcas dessa nova fase de Evil Dead, e é justamente isso que o público espera quando vai assistir a um filme da franquia.

A Morte do Demônio: Em Chamas também entrega essa brutalidade, com cenas extremamente gráficas, maquiagem impressionante e momentos que mostram que a franquia continua sabendo trabalhar o terror físico. Porém, infelizmente, eu considero este o capítulo mais fraco dessa nova fase.

E não é porque o filme não seja corajoso ou porque tenha diminuído a violência. O problema, para mim, está principalmente nos personagens. Diferentemente dos filmes anteriores, aqui o elenco é pouco desenvolvido. Os personagens são superficiais, o roteiro não dedica tempo suficiente para que a gente crie uma conexão com eles e, por isso, acaba sendo difícil se importar com o destino deles.

A protagonista até possui um pano de fundo interessante, abordando temas como abuso e relações familiares tóxicas, mostrando que nem sempre a família representa um lugar seguro. Porém, o filme não consegue desenvolver essas ideias de maneira satisfatória, fazendo com que esse potencial seja desperdiçado.

Outro ponto em que A Morte do Demônio: Em Chamas acaba ficando atrás dos seus antecessores é na abertura. Os dois filmes anteriores começam de forma extremamente impactante e conseguem prender o espectador logo nos primeiros minutos.

O longa de Fede Álvarez entrega uma cena inesquecível em que um pai precisa enfrentar a própria filha depois que ela se transforma em uma Deadite. Já A Morte do Demônio: A Ascensão possui aquela sequência marcante da garota surgindo na água enquanto o título do filme aparece em cena.

Infelizmente, este novo filme não consegue repetir esse impacto. Para mim, ele possui a abertura menos marcante da fase moderna da franquia. É uma sequência que não desperta aquela sensação de que estamos prestes a assistir a algo grandioso. Faltou aquele choque inicial, aquela identidade que Evil Dead costuma apresentar logo no começo.

Mas isso não significa que A Morte do Demônio: Em Chamas seja um filme ruim. Muito pelo contrário: ele ainda é um bom filme e respeita a essência da franquia. Ele entrega Deadites assustadores, uma maquiagem excelente e cenas de violência memoráveis.

O diretor Sébastien Vaniček também demonstra bastante talento na condução do terror. Ele cria alguns planos-sequência muito inventivos e mostra uma boa mão para construir momentos de tensão. Existe criatividade na direção, mas esses momentos acabam sendo menos frequentes quando comparados aos filmes anteriores.

Além disso, tive a sensação de que o longa está mais preocupado em chocar o público do que em realmente envolver o espectador. O choque sempre fez parte da identidade de Evil Dead, mas nos filmes anteriores ele vinha acompanhado de personagens mais interessantes e de uma narrativa que fazia a gente se importar com o que estava acontecendo. Aqui, em alguns momentos, a violência parece existir mais pelo impacto visual do que pelo peso dramático.

Outro ponto que me incomodou foi a volta da Adaga Kandariana, um dos elementos mais conhecidos da franquia. A ideia de trazer esse objeto de volta é interessante, mas o roteiro não consegue explicar bem qual é o interesse dos Deadites nessa arma.

Posso até ter deixado passar algum detalhe durante a sessão, mas, para mim, essa motivação ficou muito mal explicada. Afinal, estamos falando de um objeto conhecido justamente por ser capaz de enfrentar essas criaturas. O filme não consegue convencer o espectador do motivo pelo qual ela é tão importante dentro dessa história.

Além disso, senti que o roteiro desperdiça o passado do avô da família e sua ligação com uma seita que busca combater os Deadites. Existe uma história muito interessante ali, com potencial para expandir a mitologia da franquia, mas infelizmente o filme apresenta essa ideia e não consegue desenvolvê-la de maneira satisfatória.

A Morte do Demônio: Em Chamas é mais um capítulo da franquia que, embora esteja longe da excelência dos filmes anteriores, ainda entrega uma boa experiência. É um longa que respeita a essência de Evil Dead, oferece cenas de violência memoráveis e mantém viva a identidade que tornou essa série tão marcante.

No entanto, para mim, ele fica abaixo não apenas da trilogia original, mas também dos dois filmes dessa nova fase da franquia: Evil Dead (2013), de Fede Álvarez, e A Morte do Demônio: A Ascensão (2023), de Lee Cronin.

Ainda assim, é um bom filme de terror, capaz de agradar tanto quem já acompanha a franquia quanto quem está conhecendo esse universo agora. A sensação que fica é de que ele poderia ter alcançado um resultado muito maior se tivesse apostado em um roteiro mais consistente, personagens mais desenvolvidos e uma narrativa capaz de aproveitar melhor todas as ideias interessantes que apresenta.

No fim das contas, A Morte do Demônio: Em Chamas é um bom filme, mas um capítulo menor dentro de uma franquia que já entregou obras muito mais marcantes.

Nota: 6/10.

Filme: A Morte do Demônio: Em Chamas

Data de lançamento: 24 de julho de 2026

Sinopse: Após a perda do marido, uma mulher enlutada busca consolo na casa isolada dos sogros. Porém, o reencontro familiar se transforma em um verdadeiro pesadelo quando o Livro dos Mortos liberta forças demoníacas que começam a transformar todos em Deadites.

Elenco: Souheila Yacoub, Hunter Doohan, Tandi Wright, Luciane Buchanan e Erroll Shand.

O autor é estudante, crítico de cinema e fã de filmes e séries

Os artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores. É permitida sua reprodução, total ou parcial desde que seja citada a fonte.

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