As operações de busca e resgate no distrito de Rasuwa, na fronteira entre o Nepal e o Tibete (China), foram temporariamente paralisadas nesta quinta-feira após a emissão de um novo alerta de inundações secundárias. As autoridades nepalesas confirmaram a recuperação de 538 corpos na zona devastada pelo colapso de uma geleira e subsequentes deslizamentos de terra, enquanto mais de 1,5 mil pessoas seguem desaparecidas nos dois lados da divisa.
A ameaça de novas cheias forçou o cancelamento de inspeções técnicas de campo, incluindo a comitiva da coordenadora residente das Nações Unidas no Nepal, Lila Yahia. Segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), o desastre — classificado como sem precedentes na história recente da região — destruiu pontes e estradas cruciais, isolando comunidades inteiras nos distritos de Rasuwa, Nuwakot e Dhading.
Em resposta à emergência, a ONU e a Federação Internacional da Cruz Vermelha mobilizaram o envio de tendas, suprimentos alimentares e kits médicos para atender cerca de 10 mil desabrigados pelos próximos três meses. Em paralelo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta epidemiológico em Genebra para o risco iminente de surtos de doenças infecciosas devido ao colapso do saneamento básico nos abrigos temporários.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) relatou que dezenas de instalações escolares foram destruídas, deixando cerca de 10 mil estudantes sem acesso às aulas. Autoridades internacionais estimam que ao menos 93 mil pessoas necessitam de ajuda humanitária urgente enquanto o risco de novos desprendimentos de terra permanece elevado.
As informações oficiais foram divulgadas originalmente pela reportagem da ONU News.


