O Rio Negro encerrou agosto de 2026 com 24,19 metros em Manaus, segundo a medição do Porto de Manaus. A marca está 2,58 metros acima da registrada no mesmo período de 2025 e 4,17 metros acima do nível de agosto de 2024, ano em que o rio atingiu a menor cota da série histórica.
Pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) estimam que a vazante de 2026 possa ficar entre as três mais severas já registradas, atrás apenas de 2023 e 2024. As projeções indicam que o Rio Negro pode chegar a uma faixa entre 13 e 16 metros na orla de Manaus. No cenário mais crítico, a previsão é de 12,92 metros. O recorde de seca ocorreu em 4 de outubro de 2024, quando o rio chegou a 12,66 metros.
A queda do nível ficou acima da média histórica em agosto e apresentou comportamento semelhante ao observado em 2023. Os primeiros 15 dias de setembro são considerados decisivos para determinar a intensidade da vazante. Em 2023 e 2024, o rio chegou a baixar entre 3 e 3,5 metros nesse período. Até 2 de setembro deste ano, o Rio Negro havia recuado 15 centímetros, chegando a 23,94 metros.
A situação também preocupa em relação à cheia de 2027. Segundo as projeções do SGB e do Inpa, a possível intensificação do El Niño no segundo semestre de 2026 pode reduzir as chuvas na Bacia Amazônica e dificultar a recuperação do nível dos rios. Alguns cenários apontam que os efeitos do fenômeno podem se prolongar até março de 2027, período de chuvas na região.
No interior do Amazonas, a redução dos níveis já provoca impactos. Benjamin Constant e São Paulo de Olivença, na calha do Alto Solimões, decretaram situação de emergência. A vazante pode prejudicar o transporte fluvial, o abastecimento e o acesso de comunidades ribeirinhas, além de dificultar a navegação em trechos de menor profundidade.


