O Brasil registrou cerca de 2 milhões de trabalhadores atuando por meio de aplicativos em 2025, o equivalente a 1,9% da população ocupada no país. É o que revelam os dados experimentais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que a categoria enfrenta jornadas mais longas, maior índice de informalidade e menor remuneração por hora em comparação aos profissionais do setor privado que não utilizam plataformas digitais.
Do total de plataformizados, quase seis em cada dez (58,9% ou 1,2 milhão) trabalhavam no transporte de passageiros, seguidos por entregadores de mercadorias e refeições (19,2% ou 376 mil) e prestadores de serviços gerais e profissionais (16% ou 313 mil). Considerando apenas aqueles que tinham nos aplicativos sua fonte principal de renda — grupo que chegou a 1,8 milhão —, o setor registrou crescimento de 9,1% em um ano e de 36,8% desde 2022, alavancado principalmente pela expansão de 18,6% no segmento de entregadores.
Embora o rendimento médio mensal líquido dos trabalhadores por aplicativo (R$ 3.147) tenha empatado com o dos demais profissionais (R$ 3.148), os plataformizados cumpriram uma jornada média de 44,7 horas semanais — 5,4 horas a mais que os não plataformizados (39,3 horas). Por conta da carga horária elevada, a remuneração por hora trabalhada nos aplicativos ficou em R$ 16,20, valor 12% inferior à média nacional de R$ 18,40.
A pesquisa do IBGE aponta ainda forte vulnerabilidade social: 72,1% dos profissionais de aplicativos operam na informalidade e apenas 34% contribuem para a Previdência Social. Além disso, a imensa maioria (86,8%) atua por conta própria e relata falta de alternativa no mercado formal, mantendo alta dependência das plataformas para a definição de tarifas (mais de 78%), formas de pagamento e prazos de entrega.
A publicação dos dados ocorre em meio às discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a existência de vínculo empregatício entre motoristas, entregadores e as empresas de tecnologia, debate que busca definir os limites da precarização e da regulamentação do trabalho intermediado por plataformas no país.
(*)Com informações da Agência Brasil


