Um relatório de inteligência de 50 páginas produzido pela Polícia Federal analisou a conduta e os prazos de decisão do ministro André Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. O documento, sem timbre ou assinatura formal, foi requisitado pelo ministro Alexandre de Moraes para fundamentar alegações enviadas à presidência do Supremo Tribunal Federal (STF).
A análise dos agentes mapeou os ritmos de tramitação de pedidos da corporação e levantou hipóteses sobre a postura do relator em relação a lideranças políticas e outros membros da Corte. O levantamento apontou variações nos critérios probatórios aplicados em diferentes inquéritos, ressaltando, contudo, tratar-se de um estudo preliminar de inteligência sem valor de peça de instrução processual.
O material também registrou atritos entre o magistrado e a cúpula da Polícia Federal, citando críticas atribuídas a Mendonça sobre a gestão do diretor-geral Andrei Rodrigues e a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet. As avaliações precederam a decisão que derrubou o sigilo de investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Com o encaminhamento do relatório por Moraes, o presidente do STF, Edson Fachin, abriu um procedimento interno para avaliar o caso. O gabinete estabeleceu o prazo de cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, Gonet e a direção da Polícia Federal apresentem suas manifestações oficiais sobre o teor do documento.
Confira o relatório:


