Onze diretores da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição nesta terça-feira (8) em um ato coletivo de protesto e apoio ao diretor-geral afastado da corporação, Andrei Rodrigues, e ao diretor de Inteligência, Leandro Almada. A reação em cadeia na cúpula da instituição ocorreu após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o afastamento cautelar dos dois chefes da PF devido à produção irregular de relatórios de inteligência que monitoravam autoridades.
Em comunicado oficial entregue ao diretor-geral substituto, William Murad, o grupo de diretores manifestou solidariedade aos colegas e repudiou as acusações de conduta ilícita, rebatendo qualquer tentativa de atribuir atuação antirepublicana aos servidores ou à instituição. O documento foi assinado por autoridades de peso do órgão, incluindo os delegados Dennis Cali, Fabrício Schommer Kerber, Otavio Margonari Russo, Felipe Tavares Seixas, Helena de Rezende, Roberto Reis Monteiro Neto, André Luis Lima Carmo, Christiane Correa Machado, Alexsander Castro de Oliveira, Ademir Dias Cardoso Júnior e Humberto Freire de Barros.
O afastamento do comando da PF foi motivado por um pedido protocolado pelo Partido Novo no âmbito de apurações ligadas ao caso do Banco Master. Poucas horas após a canetada individual de André Mendonça, a Segunda Turma do STF formou maioria em sessão extraordinária para referendar e ratificar a decisão de afastar Rodrigues e Almada das funções executivas.
Ao fundamentar a medida de urgência, Mendonça destacou a “superlativa gravidade e ilicitude” na confecção dos relatórios sigilosos produzidos pela diretoria de inteligência. Os documentos em questão serviram de base para que o ministro Alexandre de Moraes solicitasse apurações contra o próprio relator, enquanto a Polícia Federal argumenta formalmente que as peças analíticas não possuíam valor probatório ou acusatório.
A entrega coletiva de cargos pela diretoria aprofunda a crise institucional entre a alta cúpula da Polícia Federal e o STF, paralisando a gestão técnica da corporação e elevando a tensão política em torno das investigações conduzidas pela inteligência policial no país.
(*)Com informações do Metrópoles


