Manaus voltou a amanhecer encoberta por uma densa camada de fumaça nesta quarta-feira (9), com moradores de diversas zonas relatando forte odor de fuligem e baixa visibilidade. O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA) apontou níveis críticos de poluição atmosférica, registrando picos de partículas finas PM2,5 que ultrapassaram 116 µg/m³ em pontos mais atingidos. A variação da qualidade do ar entre bairros é explicada pela dinâmica dos ventos que sopram sobre a capital amazonense.
O agravamento do cenário decorre do avanço das queimadas na Amazônia durante o período de estiagem acentuado pelo fenômeno El Niño. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas lidera o ranking nacional de focos de calor em setembro, acumulando 1.167 ocorrências em apenas uma semana. Pesquisadores explicam que correntes de ar têm transportado fuligem do Sul do estado, de Rondônia e do Mato Grosso diretamente para Manaus.
Embora a concentração atual ainda não atinja os recordes históricos da crise de outubro de 2023, quando a medição de PM2,5 superou 314 µg/m³, especialistas alertam que a exposição contínua ao material particulado traz riscos severos à saúde humana. A inalação de partículas finas penetra no sistema respiratório, podendo desencadear inflamações, falta de ar e agravamento de patologias cardiovasculares.
Em resposta à degradação da qualidade do ar, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) emitiu recomendações preventivas para a população. Entre as medidas sugeridas estão o reforço na hidratação diária, o uso de máscaras de proteção facial ao sair de casa, a lavagem ocular e nasal com soro fisiológico e a suspensão temporária de exercícios físicos em ambientes abertos.
As autoridades ambientais e de saúde mantêm o monitoramento do ar em estado de alerta, ressaltando que a permanência da fumaça nos próximos dias dependerá diretamente do combate aos incêndios florestais no interior e das condições meteorológicas da região.


