O ministrodo Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes cancelou pronunciamento à imprensa que faria na manhã desta quinta-feira (10), no qual se manifestaria publicamente pela primeira vez após o agravamento da crise institucional na Suprema Corte. O gabinete do magistrado havia marcado o pronunciamento sem divulgar a pauta oficial, cancelando a agenda logo em seguida com a justificativa de que a fala será “remarcada em data oportuna”.
A tentativa de declaração pública ocorre um dia após o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, adotar medidas drásticas para conter os conflitos internos. Entre as decisões, Fachin retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, a qual o ministro conduzia há 7 anos. Em nota emitida na quarta-feira (9), Fachin justificou a intervenção citando o dever de preservar a integridade do tribunal diante do quadro de sobreposições processuais e embates diretos entre os próprios integrantes da Corte.
Nos bastidores do Supremo, a expectativa era de que Moraes utilizasse o espaço para defender a condução do inquérito das fake news e apresentar considerações sobre os procedimentos sob sua relatoria. Para o evento, que seria transmitido exclusivamente pela TV Justiça sem a entrada de cinegrafistas externos, o ministro pretendia rebater as críticas e o avanço de questionamentos sobre o alcance de suas decisões.
A crise no STF atingiu o ápice após o vazamento de relatórios da Polícia Federal contendo mensagens extraídas do telefone móvel do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, direcionadas ao celular de Moraes. A divulgação dos dados desencadeou uma sucessão de decisões conflitantes envolvendo os ministros André Mendonça, Flávio Dino, a Procuradoria-Geral da República e a direção da Polícia Federal, ampliando a paralisia e a tensão na alta cúpula do Judiciário.
Para pacificar o ambiente e estabelecer parâmetros regimentais definitivos sobre as investigações, Fachin convocou uma sessão extraordinária do Plenário do STF para a próxima terça-feira (15). Caberá ao conjunto dos onze ministros analisar o teor das apurações decorrentes dos laudos da Polícia Federal e delimitar a competência das relatórias sobre os desdobramentos do caso Banco Master.
(*)Com informações da CNN Brasil


