Os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli declararam-se fora da votação do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, motivada por mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O julgamento concentra-se na validade de um relatório da Polícia Federal (PF) encomendado pelo antigo relator, André Mendonça, e contestado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que pede a anulação do documento por falta de autorização prévia e descumprimento de rito processual.
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques alegou impedimento para preservar a neutralidade da Corte Eleitoral e proteger o ambiente das Eleições 2026 de reflexos partidários. O magistrado destacou a proximidade de prazos decisivos do calendário eleitoral e abandonou o plenário durante a deliberação, sustentando não se sentir confortável para votar diante do potencial impacto político da decisão sobre o pleito.
Já o ministro Dias Toffoli declarou suspeição por motivo de foro íntimo, optando por permanecer no plenário sem votar, com a prerrogativa de intervir em debates teóricos. Antigo relator dos desdobramentos do Banco Master no STF, Toffoli relembrou que já vinha se abstendo de julgar ações e prisões ligadas a Vorcaro desde fevereiro, justificando o posicionamento atual para evitar especulações em torno de sua imparcialidade.
Com as duas baixas no quórum de votação, o plenário reduzido prossegue na análise das preliminares suscitadas pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. A decisão do STF definirá se o relatório da PF será descartado por vícios de origem ou se os elementos colhidos embasarão uma nova apuração formal sobre a conduta de Moraes.


