O cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo na noite de quinta-feira (1º) fez viralizar nas redes sociais um vídeo da ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Estela Aranha. Na gravação, feita durante as eleições de 2022, a magistrada declara voto público em Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno contra Jair Bolsonaro, afirmando que a escolha era necessária para conter o autoritarismo e defender a democracia no país.
A repercussão do vídeo ocorreu logo após a emissora de televisão anunciar a suspensão do confronto entre os candidatos por causa de determinações jurídicas. A TV Globo informou ter recebido duas notificações que alteravam os critérios previamente combinados entre as campanhas, sendo uma delas assinada justamente pela ministra Estela Aranha, em atendimento a um pedido da coligação do Partido dos Trabalhadores (PT).
A decisão da magistrada invalidou o trecho do regulamento que previa manter o púlpito reservado e identificado com o nome de um candidato caso ele faltasse ao evento. A emissora explicou que o documento original com as regras havia sido assinado com antecedência por todas as legendas partidárias, incluindo a própria equipe de campanha do PT, o que inviabilizou a realização da transmissão sob as novas exigências.
A trajetória de Estela Aranha na administração pública inclui passagens diretas pela gestão do presidente da República antes de assumir o cargo no tribunal. No governo federal, ela ocupou a Secretaria de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, atuou como assessora especial na Presidência da República e passou pelo gabinete da Presidência do TSE até ser nomeada ministra da Corte eleitoral em agosto de 2025.
Especialista em Direito Constitucional, proteção de dados e inteligência artificial, a jurista também acumula atuação em conselhos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e no Conselho Consultivo de Alto Nível da ONU. As postagens e críticas que ganharam força na internet questionam a atuação da magistrada na mediação das regras do debate diante de suas posições políticas declaradas no passado.


