Os moradores de Manaus e da Região Metropolitana enfrentaram mais um amanhecer crítico nesta quarta-feira. A capital voltou a ser encoberta por uma densa camada de fumaça acompanhada por um forte cheiro de queimada, que comprometeu a visibilidade e causou severo desconforto respiratório em diversos bairros. A piora na qualidade do ar é monitorada pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), cujos sensores apontam níveis de poluição alarmantes.

A situação reflete o cenário severo da estiagem e dos incêndios florestais na Amazônia. Com a concentração de material particulado fino (PM2.5) ultrapassando drasticamente os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a poluição atinge patamares altamente nocivos. Os focos de queimadas — impulsionados pelo desmatamento ilegal e pelo manejo inadequado do solo —, combinados às condições climáticas secas, favorecem o acúmulo da fumaça sobre as áreas urbanas.
Além de afetar diretamente o cotidiano da população, com a baixa visibilidade impactando o tráfego rodoviário, fluvial e as operações em aeroportos, o cenário traz sérios riscos à saúde pública. As unidades médicas já registram um aumento expressivo no atendimento por problemas respiratórios, afetando principalmente crianças, idosos e portadores de doenças crônicas, como asma e bronquite.

Diante do risco elevado, autoridades de saúde recomendam que a população evite atividades ao ar livre nos horários de maior densidade de fumaça e mantenha o uso de máscaras com alta capacidade de filtragem, como os modelos PFF2 ou N95, já que as máscaras de pano convencionais não retêm as partículas finas.
Para amenizar os impactos no ambiente doméstico, a orientação é reforçar a hidratação diária e utilizar umidificadores de ar, toalhas molhadas ou recipientes com água dentro de casa. Caso surjam sintomas graves, como falta de ar intensa, dor no peito ou episódios persistentes de tosse, deve-se procurar atendimento médico imediatamente.


