O multiartista e procurador do Estado Sérgio Vieira Cardoso morreu neste sábado (3), em Manaus, em decorrência de complicações coronárias. O escritor ocupava a cadeira número 2 da Academia Amazonense de Letras (AAL) e construiu uma influente carreira de mais de cinco décadas dedicada à cultura, deixando um vasto acervo de obras em pintura, teatro, literatura e cinema.
Formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Cardoso exerceu a advocacia pública na Procuradoria Geral do Estado do Amazonas (PGE-AM), mas teve seu destaque reconhecido no meio artístico. Pós-graduado em administração de projetos culturais, ele pautou sua produção pela denúncia social, defesa da Amazônia e valorização do cotidiano urbano de Manaus.
No teatro e na literatura, o artista se notabilizou por criar a cidade fictícia de “Lazone”, uma representação poética e crítica da própria capital amazonense. A metáfora serviu de pano de fundo para discutir a marginalidade e o esquecimento da memória social, gerando peças premiadas no Festival de Teatro da Amazônia, como A Herança Maldita de Mercedita de La Cruz e Carmen de Lazone.
Sua despedida ocorre enquanto sua última mostra, intitulada Papers & True Graphics, permanece aberta ao público no Centro Cultural Palácio da Justiça, no Centro de Manaus. A exposição reúne pinturas, fotografias e exibições cinematográficas do próprio autor, com visitação de segunda a sábado (exceto terças-feiras), das 9h às 15h.
A morte do imortal gerou intensa comoção no meio cultural e político amazonense, com diversas personalidades e entidades públicas prestando homenagens e lamentando a perda do legado intelectual do artista.


