A paralisação dos rodoviários entrou no terceiro dia nesta quarta-feira (22), em Manaus, com a circulação de ônibus mantida de forma reduzida. Por determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), 80% da frota deve operar nos horários de pico e 50% nos demais períodos.
A decisão determina que o percentual de 80% seja cumprido entre 6h e 9h e das 17h às 20h. Fora desses horários, metade da frota deve permanecer em circulação.
Durante a manhã, ônibus de empresas como Eucatur e Global foram vistos operando dentro dos percentuais estabelecidos pela Justiça. Na Zona Leste, passageiros relataram que o transporte funcionou normalmente durante o horário de pico, mas alguns disseram ter enfrentado dificuldades para voltar para casa nos dias anteriores.
A paralisação começou na segunda-feira (20), após o atraso no pagamento da primeira parcela dos salários dos trabalhadores do transporte coletivo. Segundo o Sindicato dos Rodoviários, as empresas descumpriram os prazos estabelecidos pela Justiça do Trabalho.
Uma liminar concedida pelo TRT-11 no início de julho determinou que 40% dos salários dos rodoviários fossem pagos até o dia 20 de cada mês, enquanto os 60% restantes deveriam ser depositados até o quinto dia útil do mês seguinte.
O Sinetram afirma que o atraso nos pagamentos está relacionado a valores pendentes do Passe Livre Estudantil. Segundo a entidade, a dívida chega a R$ 90,1 milhões.
Do total informado, mais de R$ 44 milhões seriam de responsabilidade do Governo do Amazonas, enquanto o restante caberia à Prefeitura de Manaus.
O município nega possuir débitos referentes a 2026. O prefeito Renato Júnior afirmou que a Prefeitura já repassou cerca de R$ 284 milhões ao Sinetram neste ano.
O IMMU também declarou não haver pendências relativas a 2026, mas informou a existência de um passivo de R$ 150,4 milhões referente a anos anteriores. Desse total, cerca de R$ 91 milhões seriam atribuídos ao Governo do Amazonas e R$ 59 milhões à Prefeitura.
O Governo do Amazonas, por sua vez, contesta o valor apontado pelo Sinetram. O vice-governador Serafim Corrêa afirmou que o Estado reconhecia uma dívida de R$ 18 milhões, referente ao Passe Livre Estudantil entre fevereiro e julho de 2026.
O valor foi transferido ao Sinetram, segundo o governo.
O impasse também envolve o valor utilizado para calcular o pagamento do Passe Livre Estudantil. O Governo do Amazonas defende o repasse de R$ 2,50 por passagem, correspondente à meia-passagem estudantil.
Já o Sinetram cobra o valor da tarifa técnica, que corresponde ao custo de operação do sistema e atualmente supera R$ 8.
A disputa começou em 2025, após o fim do convênio entre o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus que financiava o benefício. Desde então, o Estado defende o pagamento direto ao Sinetram com base no valor da meia-passagem.
Em junho de 2025, a Justiça autorizou o Governo do Amazonas a adquirir as meias-passagens por R$ 2,50 e determinou que o IMMU e o Sinetram garantissem o acesso dos estudantes da rede estadual ao transporte gratuito.



