Um novo vídeo divulgado em grupos de redes sociais expõe, mais uma vez, o cenário de perigo e desrespeito às leis de trânsito protagonizado pelo transporte alternativo em Manaus — os conhecidos “amarelinhos”.
Gravadas no bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste da capital amazonense, as imagens mostram o momento em que motoristas disputam espaço na via de maneira inconsequente. Na gravação, o condutor que registra a cena desabafa sobre o risco constante ao qual pedestres e passageiros são submetidos:
"O cara tá vindo lá de cima fazendo graça com o outro que tá lá na frente dele. Quer passar do cara porque quer passar… Numa pista de 30, 40 km/h, o cara tá correndo aqui numa área escolar e comercial."
O Risco do “Racha” e disputa por passageiros
A cena flagrada reflete uma prática recorrente e amplamente denunciada pela população: a disputa violenta por passageiros, conhecida popularmente como “pega” ou “rachas”. No trecho gravado, além do excesso de velocidade em áreas com fluxo de pedestres e comércio, é possível observar ultrapassagens forçadas e manobras bruscas (“fechadas”) entre os próprios coletivos e veículos de passeio.
Esse tipo de conduta transforma vias arteriais de bairros populosos em verdadeiras pistas de teste de paciência e sobrevivência.
Infrações observadas
Com base nas imagens e no relato do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), as condutas flagradas configuram uma série de infrações graves e gravíssimas:
- Desenvolver velocidade incompatível com a segurança: Trafegar em alta velocidade próximo a áreas comerciais, escolares e de grande movimentação de pedestres (Art. 220 do CTB).
- Ultrapassagem perigosa e disputa de corrida: Forçar passagem entre veículos ou disputar espaço na via (Arts. 191 e 197 do CTB).
- Uso indevido de manobras sem sinalização: Mudanças repentinas de faixa sem a devida indicação luminosa (seta), colando na traseira de outros veículos.
Histórico de acidentes e sensação de impunidade
A indignação dos moradores não é por acaso. O transporte alternativo na capital coleciona um histórico crítico de sinistros graves — desde colisões severas em avenidas de grande fluxo até capotamentos e atropelamentos.
Apesar de operações pontuais de fiscalização realizadas pelo Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e pelo Detran-AM — que frequentemente resultam em apreensões por mau estado de conservação, condutores sem CNH ou com documentos irregulares —, a população cobra soluções definitivas. Para quem depende do transporte diário na Zona Leste, as punições atuais parecem insuficientes para coibir a reincidência.
Cobrança por medidas efetivas
Diante de episódios repetitivos como o registrado no Jorge Teixeira, a comunidade exige da Prefeitura de Manaus e dos órgãos de trânsito ações mais rígidas:
- Fiscalização contínua e presencial: Aumento de blitzes em horários de pico nos corredores do transporte alternativo.
- Cassação de permissões: Punição severa às cooperativas e permissionários envolvidos em condutas de risco e disputas na via.
- Reciclagem e rigor na habilitação: Garantia de que apenas profissionais qualificados e devidamente credenciados estejam ao volante de veículos de transporte coletivo.
- Enquanto medidas estruturais e punições rigorosas não forem aplicadas de forma ostensiva, o cotidiano de quem trafega ou utiliza o transporte alternativo em Manaus continuará refém da imprudência e da sorte.



