A Justiça de Rondônia atendeu a um pedido do Ministério Público (MP-RO) e decretou a nova prisão preventiva em regime fechado do dentista Jean José Dunga, de 41 anos, acusado de infectar intencionalmente pelo menos quatro mulheres com o vírus HIV em Porto Velho. O réu havia sido condenado em agosto a cinco anos de prisão em regime semiaberto pelo caso de uma das vítimas, mas a promotoria alertou para o risco iminente de novas contaminações, culminando na sua recondução ao sistema prisional nesta quarta-feira (9).
As investigações começaram após acolhimentos realizados pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit) do MP-RO, que mapeou o padrão de atuação do acusado. Segundo a denúncia, o dentista tinha ciência de seu diagnóstico positivo há cerca de uma década e recusava o tratamento antirretroviral deliberadamente para transmitir o vírus às companheiras que conhecia em aplicativos de relacionamento, orientando-as a esconderem sintomas e burlando a fiscalização de saúde.
No caso que resultou em sua primeira condenação, o réu recebeu pena de cinco anos e o pagamento de R$ 50 mil em indenização por lesão corporal gravíssima e perigo de contágio de doença grave. A vítima, identificada sob o pseudônimo de Maria para preservação de sua imagem, descobriu o crime ao buscar atendimento médico após apresentar sintomas graves e constatar que o parceiro já era investigado em um inquérito sigiloso envolvendo outras três mulheres.
O Ministério Público acusa Jean José Dunga de crimes que incluem lesão corporal gravíssima, perigo de contágio e estupro para dois dos casos registrados, solicitando ainda a reparação financeira dos custos médicos das vítimas e o ressarcimento das despesas geradas ao Sistema Único de Saúde (SUS). O órgão ressalta que o réu continuou se relacionando com outras mulheres mesmo enquanto respondia aos processos em liberdade.
Especialistas em infectologia reforçam que o diagnóstico precoce e a adesão ao tratamento com antirretrovirais tornam a pessoa indetectável e intransmissível, permitindo uma vida saudável e sem riscos de contágio. O MP-RO orienta outras possíveis vítimas a procurarem o Navit, Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAM) ou Unidades Básicas de Saúde para a realização de exames gratuitos e suporte especializado.
(*)Com informações do Portal R7


