O mercado de trabalho em São Paulo tem registrado um crescimento notável na contratação de profissionais com mais de 50 anos nos setores de comércio e serviços. Um levantamento recente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) aponta que a participação dessa faixa etária nas admissões formais aumentou gradualmente entre janeiro e novembro de 2025.
No período analisado, que abrangeu 5,88 milhões de novas contratações formais, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), os profissionais com mais de 50 anos representaram 9% do total. Este índice representa um avanço significativo em comparação a 2021, quando essa participação era de 7%.
O setor de serviços se destaca por concentrar a maior parte desses profissionais, com 10% das contratações acumuladas até novembro voltadas para trabalhadores acima de 50 anos. No comércio atacadista, o percentual é de 8%. Já o comércio varejista, embora ainda priorize trabalhadores mais jovens (57% das contratações são de pessoas com até 29 anos), também viu um aumento na inclusão de profissionais mais experientes, com a participação de pessoas com mais de 50 anos saltando de 5% para 8% em novembro de 2025, comparado ao mesmo mês de 2021.
Segundo a FecomercioSP, diversos fatores explicam essa tendência. O envelhecimento da população economicamente ativa, a maior permanência dessas pessoas no mercado e a valorização, por parte das empresas, de atributos como experiência, estabilidade e menor taxa de rotatividade (turnover) são cruciais. Esses elementos são particularmente valiosos nos setores de Comércio e Serviços, onde os custos associados à alta rotatividade podem ser elevados.
O estudo também revelou uma maior participação feminina nas contratações. Entre janeiro e novembro de 2025, mulheres representaram 3,15 milhões das 5,88 milhões de admissões nos setores de comércio e serviços, avançando 3 pontos percentuais em relação a 2021 e totalizando 54% das vagas. No comércio varejista, as mulheres ocupam 55% das contratações, enquanto nos serviços o índice é de 54%. A FecomercioSP atribui essa ascensão a transformações estruturais na sociedade, como a expansão de atividades de atendimento e serviços, o aumento da escolaridade feminina e mudanças nos arranjos familiares.
Em relação à escolaridade, o ensino médio completo continua sendo o requisito mais comum, presente em 68% das novas contratações. Profissionais com ensino superior representam 17% das admissões, com o setor de Serviços concentrando a maior proporção (20%). A entidade ressalta que o crescimento do emprego se dá majoritariamente em funções de média qualificação, reforçando a necessidade de políticas de formação técnica e profissional alinhadas às demandas do mercado.
A FecomercioSP aponta que a transição no perfil das contratações exige adaptação das empresas em termos de gestão de pessoas, criação de ambientes de trabalho mais inclusivos e estratégias de atualização contínua de competências. Esse movimento também está ligado a um cenário de escassez relativa de mão de obra em ocupações operacionais e de média qualificação, levando as empresas a ampliarem seu leque de contratações e a valorizarem a experiência.



