Após dois dias de julgamento, o Tribunal do Júri condenou, na noite desta terça-feira (14), Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete. A sessão ocorreu no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, na Bahia.
Arielson recebeu pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão, além de multa. Já Marílio foi condenado a 29 anos e 9 meses de reclusão, mas segue foragido. As penas deverão ser cumpridas inicialmente em regime fechado.
Os réus foram considerados culpados por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, uso de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito. O julgamento foi transferido de Simões Filho para Salvador para assegurar a imparcialidade do processo.
O crime ocorreu em 17 de agosto de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, quando Mãe Bernadete foi executada com 25 tiros na presença de três netos.
Reconhecida liderança quilombola, ela estava sob proteção do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos desde 2019, devido a ameaças relacionadas à sua atuação em defesa do território e à busca por justiça pela morte do filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos.
Movimentos sociais classificaram a condenação como um avanço no combate à impunidade em crimes contra lideranças e defensores de direitos humanos no Brasil.



