Os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça protagonizaram um duro bate-boca durante a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15), no julgamento que analisa a anulação de um relatório da Polícia Federal (PF) ligado ao ministro Alexandre de Moraes. O decano da Corte acusou Mendonça de conduzir as investigações com “inequívoco viés eleitoral” para arrastar o tribunal para o cenário político da campanha, criticando inclusive a escolha de datas para movimentações do processo.
“É evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos dessa PET. Escolha de data, 7 de Setembro, todo esse cenário envolvendo essa Corte em campanha eleitoral”, disse Gilmar.
A declaração gerou forte reação de Mendonça, que classificou a fala de Gilmar como “leviana” e exigiu respeito, pedindo para que o colega não apontasse o dedo em sua direção. O decano rebateu afirmando que o ministro deveria ouvi-lo e declarou que “quem não se dá ao respeito não merece respeito”, elevando a tensão no plenário durante a transmissão ao vivo.
Antes da troca de ofensas, Gilmar Mendes criticou duramente o andamento das apurações conducidas por Mendonça e argumentou que a forma como as medidas foram impostas expôs os magistrados a constrangimentos e ameaçou a liberdade de decisão do tribunal. A discussão reflete a divisão interna na Suprema Corte sobre os limites da atuação da PF e a condução das investigações derivadas do caso Banco Master.
O plenário segue em deliberação para definir se acolhe o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para invalidar as provas colhidas pela Polícia Federal por vício de origem ou se dará prosseguimento à análise do mérito.


