O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam, permanece foragido e não pretende se entregar à polícia, segundo pessoas próximas ao artista. Ele é procurado pela Justiça do Rio de Janeiro desde a expedição de um mandado de prisão preventiva, ocorrida nesta terça-feira (3).
A decisão foi tomada após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) identificar sucessivos descumprimentos das medidas cautelares impostas ao músico, especialmente no uso da tornozeleira eletrônica. De acordo com o entendimento do tribunal, as falhas no monitoramento não se configuram como episódios isolados e indicam risco à ordem pública e à aplicação da lei penal.
Informações da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) apontam 66 violações registradas no dispositivo de monitoramento, sendo 21 consideradas graves. O equipamento foi substituído em dezembro, mas voltou a apresentar longos períodos sem carga, permanecendo desligado desde 1º de fevereiro. O processo registra ainda 28 falhas em 43 dias, com interrupções de até dez horas, principalmente no período noturno e aos fins de semana.
Oruam responde por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis, ocorridas durante uma operação no Rio de Janeiro. Com a nova decisão, o STJ revogou a liminar que havia autorizado a substituição da prisão por medidas cautelares, como o monitoramento eletrônico.
A defesa do artista afirma que não houve desligamento proposital da tornozeleira e sustenta que o equipamento apresentava defeitos técnicos. Segundo o advogado Fernando Henrique Cardoso, o cantor chegou a ser convocado para a troca do dispositivo, realizada em dezembro, conforme documentos anexados ao processo.
Filho de Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho condenado a 44 anos de prisão, Oruam, de 24 anos, é um dos nomes em destaque no rap nacional, com mais de 10 milhões de ouvintes mensais nas plataformas digitais. O cantor nega qualquer envolvimento com o crime organizado e afirma que sua carreira é resultado exclusivamente de seu trabalho artístico.
Nos últimos anos, o rapper também esteve envolvido em polêmicas públicas, incluindo um pedido pela liberdade do pai durante apresentação no festival Lollapalooza, em 2024. Em 2026, projetos de lei conhecidos como “Lei anti-Oruam” foram protocolados em câmaras municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, com o objetivo de restringir a contratação de artistas acusados de fazer apologia ao crime e às drogas.



