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O Largo, o Silêncio e a Lapinha

Por José Rocha – Todos os anos, a árvore gigante de Natal se impunha no Largo de São Sebastião como símbolo de luz, festa e encontro. Era o cenário das fotos, dos abraços e da esperança renovada. Neste ano, porém, a árvore não subiu.

No lugar do brilho, foi montada uma lapinha. Simples, discreta, quase tímida diante do espaço que costumava ser ocupado pelo espetáculo. Pequena no tamanho, enorme no significado.

A ausência da árvore tem motivo e tem peso. Durante a montagem da estrutura natalina, um trabalhador perdeu a vida e outro ficou gravemente ferido. O que era para ser celebração virou luto. O Natal chegou, mas chegou em silêncio.

A lapinha, ali posta, parece nos lembrar que tragédias como essa raramente nascem de um único erro. Elas costumam surgir da soma de falhas: da imprudência de quem age sem cautela, da imperícia de quem não estava preparado e da negligência de quem deveria planejar, fiscalizar e proteger.

O Largo continua bonito, histórico, sagrado para a cidade. Mas neste Natal ele ensina uma lição dura e necessária: nenhuma decoração, por mais grandiosa que seja, vale mais do que uma vida humana. E quando a festa dá lugar ao silêncio, é porque algo precisa ser repensado.

O autor é manauara, administrador (UFAM), blogueiro (BLOGDOROCHA), criador de conteúdos digitais, escritor e pesquisador da nossa cultura.

Os artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores. É permitida sua reprodução, total ou parcial desde que seja citada a fonte.

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