A deputada Alessandra Campelo, ainda filiada ao MDB, tem mostrado a cada dia que o senador Eduardo Braga, presidente regional da legenda, não é mais aquele político forte, que comandava seu grupo com autoridade. Uma das maiores aliadas daquele que é hoje o principal adversário do parlamentar, o governador Wilson Lima (PSC), ela faz campanha aberta para a reeleição deste, sem sofrer qualquer punição do partido.
Desde o início da administração do atual governador, a parlamentar se alinhou a ele, inicialmente com autorização de Braga, que no segundo turno de 2018 subiu no muro, magoado com a postura do então governador Amazonino Mendes, que não quis apoiá-lo publicamente para o Senado.
Depois da eleição, no entanto, Wilson Lima mostrou claramente que não queria se aproximar de Braga, enquanto Campelo colava no governador, a ponto de ser uma de suas principais defensoras na Assembleia Legislativa, formando com Joana Darc (PL) e Saulo Ramos (PTB) o trio mais aguerrido na trincheira governista.
Em 2020, o rompimento se consolidou, a ponto de Campelo lançar seu irmão, Allan, candidato a vereador pelo partido de Wilson Lima, o PSC. Tudo isso sem combinar nem sequer comunicar a Braga, que no entanto “engoliu” a rebeldia da correligionária.
Braga definitivamente não é mais o cacique de antes. Ele recebeu o deputado Fausto Junior no partido, mas também não consegue controlar o novo filiado, que se tornou o mais novo bolsonarista da Assembleia Legislativa, enquanto o senador mantém o distanciamento do presidente da República e votou favorável ao relatório da CPI da Pandemia.
Assim como Amazonino Mendes, Braga tem dificuldades de construir e manter um grupo político. Seus aliados mais próximos reclamam que o senador faz uma política muito individualista, por isso não consegue reunir um time de peso.
Na verdade, historicamente sempre foi assim. O mais próximo de grupo que Braga conseguiu formar foi o famoso ABC na década de 90 – Ari Moutinho, Bosco Saraiva e Chico Preto. Hoje, nenhum deles é aliado do senador e os dois últimos têm com ele uma relação distante e em certos momentos de oposição clara.
Alessandra Campelo, com sua postura de não prestigiar o presidente de seu partido e ainda expô-lo ao ridículo de ser tachado como um líder que não lidera, pode estar colocando a pá de cal nas pretensões de Braga de voltar ao Governo do Estado. Afinal, quem vai querer votar am alguém que não comanda a própria casa?



