A União Europeia inicia nesta quinta-feira (3) o embargo a produtos de origem animal do Brasil, impedindo temporariamente a entrada de carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos nos 27 países do bloco. A medida foi adotada após a UE considerar insuficiente o controle brasileiro sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
A restrição pode ser suspensa caso o Brasil consiga comprovar o cumprimento das exigências europeias. Uma auditoria realizada nesta semana por técnicos da UE avalia as cadeias produtivas de frango e mel, com conclusão prevista para sexta-feira (4). O resultado ainda será analisado pelas autoridades europeias, em um processo estimado em cerca de dois meses.
O embargo não foi motivado pela identificação de irregularidades nos produtos brasileiros, mas pela avaliação de que o sistema de fiscalização do país não garante controle suficiente sobre determinadas substâncias. O Brasil já adotou novas regras, incluindo a proibição de alguns antimicrobianos e um protocolo de rastreamento do gado desde o nascimento até o abate. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirma que todas as empresas associadas habilitadas para o mercado europeu aderiram ao protocolo.
As carnes bovina e de frango estão entre os produtos mais afetados. A UE responde por 5,8% das exportações brasileiras de carne bovina, mas o mercado é considerado estratégico por concentrar a compra de cortes de maior valor. No caso do frango, o setor espera uma eventual retomada ainda em 2026, dependendo do resultado da auditoria. Para a carne bovina, entretanto, a retomada pode levar até três anos, devido ao período necessário para comprovar o cumprimento das novas regras durante toda a criação do animal.
O embargo ocorre em meio à resistência de produtores europeus ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que amplia a concorrência com produtos sul-americanos. Representantes do agronegócio brasileiro classificaram a medida como protecionista, enquanto o governo tenta negociar sua reversão. O setor de mel também teme prejuízos: as exportações brasileiras para a UE dobraram no primeiro semestre de 2026, chegando a US$ 6,3 milhões, impulsionadas pela dificuldade de vender ao mercado americano após as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.
(*)Com informações do Terra


