Em uma iniciativa inédita, os líderes dos partidos separatistas que governam a Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte assinaram, nesta segunda-feira (14), um memorando de entendimento exigindo que o governo do Reino Unido viabilize a realização de referendos de independência nessas três nações. Reunidos em Cardiff, capital galesa, John Swinney, Rhun ap Iorwerth e Michelle O’Neill defenderam o direito à autodeterminação de suas populações e formalizaram um acordo de cooperação em questões constitucionais.
O movimento ocorre em um momento histórico, no qual legendas separatistas comandam simultaneamente os três países celtas pela primeira vez, impulsionadas pela recente ascensão do Plaid Cymru no País de Gales. A aliança impõe forte pressão política sobre o novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, assumido há menos de dois meses e que já havia declarado em agosto que novas votações sobre independência estavam fora de cogitação para conter os desdobramentos do Brexit.
Para contornar restrições legais e o não reconhecimento de Downing Street a cúpulas intergovernamentais sobre separatismo, os governantes participaram do encontro em Cardiff estritamente na condição de chefes partidários. Embora Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte possuam estruturas executivas e legislativas próprias, a soberania constitucional sobre o futuro do bloco permanece centralizada no governo britânico, em Londres.
O clima de tensão constitucional ultrapassou as fronteiras britânicas após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no final de semana. Durante visita à Irlanda, Trump afirmou esperar que a unificação irlandesa ocorra “eventualmente”, declaração interpretada por analistas como uma provocação direta à soberania do Reino Unido e que fortaleceu o discurso dos movimentos emancipatórios regionais.
(*)Com informações do G1


