O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve uma vitória histórica nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt, no leste do país, ao alcançar cerca de 44% dos votos, segundo apurações parciais. Trata-se do melhor desempenho eleitoral da sigla desde a Segunda Guerra Mundial. Apesar do resultado expressivo sob a liderança local de Ulrich Siegmund, a legenda não tem governabilidade garantida, pois depende de alianças e de maioria no Parlamento regional para assumir o governo do estado.
O pleito estadual refletiu uma forte rejeição ao governo federal e representou uma severa derrota para o chanceler Friedrich Merz, cuja coalizão conservadora (CDU) ficou distante da liderança no estado. Pesquisas de opinião indicaram que 87% do eleitorado local demonstrava insatisfação com as políticas nacionais. Analistas do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica apontam que o avanço do grupo na região, ex-integrante da Alemanha Oriental com dois milhões de habitantes, consolida a ascensão nacional da sigla fundada em 2013.
Como os demais partidos tradicionais descartam qualquer tipo de coalizão com a extrema-direita, a AfD enfrentará forte isolamento político para tentar compor maioria. Mesmo sem alterar de imediato o Parlamento Federal, cuja votação geral está prevista para 2029, a vitória reforça a projeção da sigla, que já lidera pesquisas de intenção de voto em âmbito nacional e ganha terreno na porção ocidental do país.
As pautas centrais da AfD envolvem o severo endurecimento do controle migratório, com ampliação de deportações, incentivo à “remigração” de estrangeiros e criação de turmas escolares separadas para filhos de refugiados. Na área de energia, a legenda advoga pela retomada da matriz nuclear, ampliação de combustíveis fósseis e revisão de metas de combate às mudanças climáticas, além de propor a redução de verbas públicas para emissoras estatais.
Na política externa, a sigla atua pelo fim das sanções econômicas impostas à Rússia de Vladimir Putin, pela redução do auxílio militar e financeiro à Ucrânia e pelo enfraquecimento do poder central da União Europeia, propondo a devolução de competências soberanas aos países-membros.
(*)Com informações do O Globo


