Um líder comunitário de 67 anos sobreviveu a uma tentativa de homicídio e ameaças de morte na foz do rio Tapauá, município de Tapauá (a 449 km de Manaus), enquanto realizava ações de vigilância para proteção de quelônios. O idoso foi atingido na cabeça por agressões físicas e de raspão por um tiro na orelha, disparado por quatro homens. Quatro suspeitos foram presos pela Polícia Militar, e o estado de saúde da vítima é estável.
A suspeita local é de que o ataque seja uma retaliação às recentes operações de fiscalização ambiental realizadas pelo Ibama e pela Funai na região, bem como à atuação de comunidades indígenas e ribeirinhas na conservação e no manejo comunitário do pirarucu. Os agressores também ameaçaram destruir as bases comunitárias de monitoramento territorial ao longo do rio.
Em resposta à escalada da violência, o Coletivo do Pirarucu — entidade que representa 2.500 famílias no Amazonas — enviou uma carta às autoridades estaduais e federais nesta sexta-feira (4), exigindo investigação rigorosa do crime e proteção imediata à vítima. O documento alerta para a vulnerabilidade dos trabalhadores no período de manejo, que ocorre entre setembro e novembro.
A entidade reivindica o reforço policial permanente e a presença ostensiva de órgãos ambientais, como SEMA/AM, IPAAM, Ibama, ICMBio e Funai. Além do combate aos crimes ambientais, o coletivo cobra infraestrutura de fiscalização para conter invasões e garantir a segurança do povo Paumari e das comunidades envolvidas nos acordos de pesca.
A falta de presença do Estado na calha do rio Tapauá tem comprometido as iniciativas de conservação territorial e a subsistência das populações tradicionais. Lideranças locais relatam clima de apreensão diante da reincidência de ameaças e cobram ações permanentes para conter a atuação de grupos ilícitos na região.


