Uma operação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deflagrada na manhã desta sexta-feira (20) revelou a atuação de um núcleo político de uma facção criminosa com forte ramificação em órgãos públicos e na administração municipal de Manaus. Denominada Operação “Erga Omnes”, a ação investiga um esquema de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa que teria contado com a colaboração de servidores e ex-servidores de diversas esferas do poder público.
Segundo o delegado Marcelo Martins, responsável pela investigação, as apurações apontam que o grupo criminoso captava recursos financeiros junto a traficantes, organizava a compra de entorpecentes na Colômbia e lavava o dinheiro por meio de uma empresa de logística que funcionava como fachada. O esquema teria movimentado cerca de R$ 70 milhões em operações suspeitas ao longo de quatro anos, conforme relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Ao todo, foram expedidos 24 mandados de prisão, dos quais 13 já foram cumpridos, incluindo a detenção de Ana Bela Cardoso de Freitas, que atua na Prefeitura de Manaus e, até 2023, foi chefe de gabinete do prefeito. Entre os alvos há ainda servidores públicos do Executivo, Legislativo e Judiciário, além de integrantes das forças de segurança, inclusive uma policial civil e uma militar. Mas alguns investigados continuam foragidos.
“O crime organizado estava sendo administrado pela própria administração pública”, declarou o delegado, ressaltando a profundidade da infiltração criminosa no aparato estatal.
Uma das descobertas mais surpreendentes da investigação é que o líder do grupo, identificado como Alan Kleber, estava foragido desde o início da operação. De acordo com a polícia, ele se apresentava como evangélico e frequentava uma igreja no bairro Zumbi dos Palmares, em Manaus, onde inclusive teria escondido drogas em uma ocorrência anterior. Há indícios de que membros da organização utilizavam templos religiosos como fachada para camuflar suas atividades e dificultar as investigações. A esposa de Alan foi presa durante a ação.
Além disso, os entorpecentes eram coletados em Tabatinga, na região de fronteira, transportados por empresas fantasmas e distribuídos dentro do Amazonas e para outros estados, segundo as apurações.
A polícia informou que a investigação continua em andamento e que novas provas estão sendo analisadas para ampliar a responsabilização dos envolvidos, incluindo a possível identificação de outros colaboradores no esquema. Até o momento, não há formalmente políticos com foro privilegiado incluídos no inquérito, mas o delegado destacou que as provas colhidas foram determinantes para as medidas judicias autorizadas.



