A Assembleia Legislativa do Amazonas decidiu que a eleição indireta para escolha do governador tampão será realizada no dia 4 de maio, último prazo permitido pela Constituição após a renúncia do governador e do vice. A definição, no entanto, já provoca preocupação entre empresários de diversos setores, que temem impactos imediatos na economia estadual.
Nos bastidores, o receio é de que contratos públicos e serviços sofram paralisações durante esse período de transição. Com isso, empresas podem enfrentar dificuldades de caixa e até recorrer a empréstimos bancários para manter as atividades, sem garantia de quando — ou se — os pagamentos pendentes serão regularizados.
A insegurança aumentou desde a confirmação da saída do ex-governador Wilson Lima, um movimento que pegou parte do setor produtivo de surpresa. Embora a renúncia já fosse ventilada nos bastidores políticos, a expectativa era de que o processo de escolha do substituto ocorresse de forma mais rápida.
O cenário começou a mudar após o governador interino Roberto Cidade cumprir agenda em Brasília na última semana. Durante reuniões com lideranças políticas e representantes do Judiciário, ele encontrou resistência em alguns setores e iniciou articulações para contornar o ambiente considerado delicado. A avaliação é que o adiamento da eleição também faz parte dessa estratégia de alinhamento político.
Apesar do clima de cautela, não há, até o momento, um nome com força suficiente para disputar diretamente com Cidade na eleição indireta. O senador Omar Aziz chegou a ser citado nos bastidores, mas nunca confirmou publicamente qualquer intenção de entrar na disputa. Ainda assim, ele já teria mantido conversas com o atual governador interino.
Enquanto a definição não acontece, a orientação dentro do governo é manter o funcionamento da máquina pública sem sobressaltos. Nos primeiros dias à frente do Executivo, Cidade já teve que lidar com problemas urgentes, como manifestações de professores após a suspensão do plano de saúde por falta de pagamento.
Nos bastidores, a avaliação é de que o novo gestor ainda deve enfrentar desafios considerados graves, herdados da administração anterior, o que aumenta a pressão sobre a condução desse período de transição.



