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Lewandowski anuncia criação de comitê para enfrentar crise de intoxicações por metanol

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciou nesta terça-feira (7) a criação de um comitê para coordenar ações de enfrentamento à crise provocada pelo aumento de casos de intoxicação por metanol no país. A decisão foi tomada após reunião entre o Ministério da Justiça e representantes da indústria de bebidas alcoólicas.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, já foram notificados 217 casos de intoxicação por metanol no Brasil, dos quais 17 foram confirmados. O estado de São Paulo concentra a maioria das ocorrências — 164 casos, sendo 15 confirmados e 149 ainda sob investigação. O país contabiliza 12 mortes, com três óbitos confirmados em São Paulo.

Durante o encontro, Lewandowski classificou a situação como uma “crise de saúde pública inusitada”, destacando o impacto econômico e social do problema. “Chegamos à conclusão de que seria importante montar um comitê de enfrentamento da crise do metanol, um comitê informal que permita troca de informações, boas práticas e anúncios de providências entre o setor público e o privado”, afirmou.

O ministro ressaltou que nenhuma hipótese foi descartada nas investigações sobre a origem da substância utilizada na adulteração de bebidas. Ele mencionou a possibilidade de conexão com o crime organizado, especialmente após a entrada da Polícia Federal nas investigações. A PF vai analisar a procedência do metanol, que pode estar relacionado a uma megaoperação envolvendo combustíveis ilícitos.

O presidente da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), Paulo Pereira, informou que cerca de 30 estabelecimentos e 25 distribuidoras já foram identificados e notificados a prestar esclarecimentos. “Vários desses locais foram fechados por fiscais municipais e estaduais, mas ainda não há confirmação de que tenham sido responsáveis pela contaminação”, explicou.

A crise ganhou mais repercussão após a morte de Bruna Araújo de Souza, de 30 anos, nesta segunda-feira (6). Ela estava internada após ingerir uma bebida alcoólica contaminada com metanol em São Bernardo do Campo (SP).

O governo federal deve anunciar, nos próximos dias, novas medidas de fiscalização e rastreamento para impedir a circulação de bebidas adulteradas no país.

COLUNISTAS

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