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O Bode Castelo (Cheiroso) – O Mascote dos Ginasianos

Por José Rocha – Nos festejos da Semana da Pátria, do Amazonas e do aniversário de Manaus, vale lembrar uma figura que marcou época: o bode Castelo, também chamado de Cheiroso, o mascote inesquecível dos alunos do Colégio Estadual do Amazonas, o tradicional “Gymnasio Amazonense D. Pedro II”.

Pode parecer curioso homenagear um bode, mas o Castelo faz parte da memória afetiva da cidade. Seu nome está registrado no livro Gymnasianos, de Osíris Silva, e sempre que antigos alunos se reúnem, basta alguém lembrar dele para que surjam risadas e histórias saborosas.

O nome “Castelo” veio do símbolo do colégio — a fachada de uma casa nobre, como um castelo em miniatura. Já o apelido “Cheiroso” era uma ironia carinhosa: o animal tomava banho toda semana e recebia perfume, para disfarçar o “aroma natural” dos caprinos.

Segundo relatos, o pequeno bode chegou ao colégio ainda cabrito, trazido por um barqueiro que fornecia leite ao refeitório. O filhote foi adotado pelos estudantes e pelo bedel Seu Henrique, tornando-se parte da família escolar. Viveu por lá décadas — dizem que chegou aos trinta anos!

O Castelo era presença garantida nos desfiles cívicos da Semana da Pátria. Vestido com farda, marchava ao som da fanfarra, acompanhando o comando do estudante Marcus Barros, que depois se tornaria médico e político. O público vibrava quando via o bode desfilando, garboso, entre tambores e clarins.

Mas o Cheiroso não era só disciplina. Tinha um lado boêmio. Reza a lenda que o trio José Rocha, Amazonino Mendes e o irmão de Robério Braga o levava às sextas-feiras ao lendário Bar do Jaú, na Getúlio Vargas, onde o bode saboreava uma mistura de groselha com cachaça e petiscava polpa de coco. Pior: gostava! Bebia tudo e ainda lambia os beiços.

O animal tinha seus caprichos. Aceitava carinho nos chifres e na pelagem, mas quem ousasse tocar no seu bigode levava uma chifrada certeira. Tinha até um quarto exclusivo embaixo da escada do colégio, e comia do bom e do melhor.

Conversei com Geraldo Bonates, o GB, radialista da Rádio Rio Mar e filho do bedel Henrique. Ele confirmou que o Castelo era tratado como um membro da comunidade escolar. Prometeu, inclusive, conseguir um exemplar do livro Gymnasianos, onde o bode tem um capítulo próprio.

E, claro, o final da história não podia deixar de ter o sabor das lendas manauaras. O “Miudinho”, antigo frequentador do Bar Caldeira, contou que o bode, levado ao Mercado Municipal, rasgou um paneiro de farinha seca e comeu até o último grão. Morrendo de sede, bebeu água do Rio Negro como se não houvesse amanhã — dois litros de uma vez. Inchou feito a Dona Redonda, da novela Saramandaia, e… explodiu!

Assim se foi o Castelo, o bode mais famoso da história dos colégios de Manaus — mascote, boêmio, estudante e herói cívico.

Selva, Bode Castelo!
Teu balido ecoa até hoje na lembrança dos ginasianos.

  • O autor é manauara, administrador (UFAM), blogueiro (BLOGDOROCHA), criador de conteúdos digitais, escritor e pesquisador da nossa cultura.

Os artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores. É permitida sua reprodução, total ou parcial desde que seja citada a fonte.

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