A Amazon moveu uma ação judicial contra a startup Perplexity, desenvolvedora do navegador Comet, para impedir que agentes de inteligência artificial realizem compras automaticamente em sua plataforma. A varejista alega que a prática viola seus termos de uso e configura fraude eletrônica, uma vez que os pedidos não são identificados como feitos por sistemas automatizados.
No processo, a Amazon defende que a Perplexity deve agir com transparência ao utilizar IAs para acessar seu site. “Assim como qualquer invasor, a Perplexity não tem permissão para acessar áreas que foram explicitamente proibidas. O fato de usar código em vez de ferramentas para quebrar a segurança não torna a prática menos ilegal”, afirma a companhia em trecho encaminhado ao tribunal.
Segundo informações da Bloomberg, o conflito começou antes do processo judicial. Em 31 de outubro, a Amazon enviou uma carta solicitando que a Perplexity suspendesse o uso dos agentes de IA, alegando que eles prejudicam a experiência dos consumidores e criam brechas de segurança no sistema.
A Perplexity reagiu e acusou a gigante do e-commerce de “bullying corporativo”. Em nota publicada no blog da empresa, a startup afirmou que a ação judicial tem como objetivo restringir a concorrência e limitar o avanço de IAs que possam oferecer alternativas aos consumidores.
O CEO da Perplexity, Aravind Srivinas, negou que a empresa colete dados da Amazon ou utilize informações da plataforma para treinar seus modelos de IA. Ele argumentou que o verdadeiro motivo do processo seria impedir que usuários evitem os anúncios exibidos no site da varejista.
A disputa pode criar um precedente importante sobre o papel e os limites legais dos agentes de inteligência artificial na internet. Empresas como Google e OpenAI também desenvolvem ferramentas capazes de realizar tarefas complexas, como pesquisar produtos ou concluir compras, a partir de comandos em linguagem natural.
A Amazon, por sua vez, também tem investido em soluções automatizadas. Em abril de 2025, a empresa lançou o Buy For Me (“Compre para mim”, em tradução livre), que realiza compras diretamente em lojas parceiras, além do assistente virtual Rufus, que recomenda produtos e adiciona itens ao carrinho.
Os termos de uso da varejista proíbem expressamente “qualquer uso de mineração de dados, robôs ou ferramentas semelhantes de extração e coleta de informações”. Fontes consultadas pela Bloomberg revelaram ainda que, em novembro de 2024, a Amazon já havia solicitado à Perplexity a suspensão temporária do uso de robôs automatizados até que fosse firmado um acordo entre as partes.
A decisão judicial poderá influenciar o futuro das IAs voltadas ao consumo online e definir até onde as empresas podem ir ao automatizar ações em plataformas comerciais.



