A 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30) teve início nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), com o desafio de transformar compromissos em resultados concretos diante da crise climática global. Realizada dez anos após o Acordo de Paris, a conferência foi definida pelo governo brasileiro como “a COP da implementação e da verdade”, com o objetivo de acelerar ações e garantir que as metas ambientais saiam do papel.
Durante a abertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a conferência avance na criação de um plano global para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis , ainda responsáveis por mais de 75% das emissões de gases de efeito estufa. “Apesar das dificuldades e contradições, precisamos superar essa dependência”, afirmou.
Lula também propôs destinar parte dos lucros do petróleo brasileiro para financiar a transição energética e promover justiça climática, o que, segundo ele, é essencial para países em desenvolvimento.
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, reforçou a urgência do debate. “Temos o mandato de fazer a transição para longe dos combustíveis fósseis. A questão é como vamos realizar isso”, disse.
A revisão das metas de emissões (as chamadas NDCs) é um dos principais pontos da agenda. Apenas 64 países que representam cerca de 30% das emissões globais atualizaram seus compromissos. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), mesmo com as novas metas, o mundo ainda caminha para um aquecimento de 2,5 °C, acima do limite de 1,5 °C previsto no Acordo de Paris.
Outro tema central é o financiamento climático. Após o impasse da COP29, em Baku, os países discutem formas de ampliar os recursos destinados às nações em desenvolvimento. O plano propõe elevar o valor anual de US$ 300 bilhões para US$ 1,3 trilhão até 2035, com reformas na estrutura financeira global.
A preservação das florestas, embora não esteja formalmente na pauta de negociações, tem destaque na COP30 por sua importância no equilíbrio climático. O Brasil lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que busca remunerar países por manterem suas florestas em pé. O fundo já recebeu promessas que somam mais de US$ 5 bilhões, com aportes de Noruega, França, Indonésia e Brasil.
Outro ponto de discussão é a definição dos indicadores do Objetivo Global de Adaptação (GGA), que permitirá medir o progresso dos países em áreas como agricultura, saúde, infraestrutura e combate à pobreza. A proposta é triplicar o financiamento para adaptação até 2030, favorecendo os países mais vulneráveis.
A conferência também discute o conceito de transição justa, que busca garantir que a descarbonização da economia mundial não amplie desigualdades sociais. Países em desenvolvimento defendem a criação de um mecanismo de apoio que facilite o acesso a tecnologia e financiamento.
Organizações da sociedade civil propõem o Mecanismo de Ação de Belém, que coordenaria políticas de transição justa e o compartilhamento de boas práticas entre os países.
O sucesso da COP30, avaliam especialistas, dependerá da capacidade de os países alcançarem compromissos concretos e cooperativos. “Uma COP que não fala de fósseis falha em seu propósito”, afirmou Claudio Angelo, do Observatório do Clima.



