Por José Rocha – No coração do centro histórico de Manaus, ergue-se a charmosa Casa Azul da Rua Tapajos, um sobrado erguido por volta de 1910, nos tempos áureos da Belle Époque manauara, quando o brilho da borracha iluminava as ruas e inspirava construções elegantes, em estilo eclético-neoclássico.
Com sua fachada estreita, janelas altas adornadas por molduras em relevo e platibanda ornamentada, a casa ainda conserva a alma de uma época em que Manaus queria ser Paris. O ferro trabalhado nas grades e a simetria da fachada revelam o cuidado artesanal dos construtores da era do látex, quando cada detalhe expressava status e orgulho urbano.
Durante boa parte do século XX, a residência foi lar do respeitado radialista Eduardo Monteiro de Paula, nome lembrado com carinho pelos manauaras que acompanharam a era de ouro do rádio local. Atualmente, quem guarda a memória e o calor humano da velha casa são o casal Raimundo e Mara, que ali vivem cercados de filhos, netos e bisnetos — mantendo viva a tradição familiar que tanto caracteriza o Centro de Manaus.
O porão do imóvel, como é comum nas antigas construções da cidade, ganhou novo uso com o passar do tempo: hoje é alugado para os barraqueiros de bebidas do Largo de São Sebastião, que animam as noites em frente aos bares da moda na Rua Ferreira Pena.
Assim, entre o som das conversas, o riso dos frequentadores e o tilintar dos copos, a velha Casa Azul continua a cumprir seu papel: ligar o passado ao presente, lembrando que o coração de Manaus pulsa forte nas suas fachadas centenárias e nas famílias que teimam em permanecer onde tudo começou.
Correção e melhoria: IA ChatGPT
O autor é manauara, administrador (UFAM), blogueiro (BLOGDOROCHA), criador de conteúdos digitais, escritor e pesquisador da nossa cultura.



