A Black Friday deste ano deve registrar o maior volume de vendas em 15 anos. A projeção é da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que calcula movimentação de R$ 5,4 bilhões — alta de 2,4% sobre 2024.
O resultado reflete um cenário econômico misto. A queda do dólar melhora o poder de compra, enquanto o mercado de trabalho segue em alta. Em paralelo, juros elevados e endividamento crescente continuam pressionando o orçamento das famílias.
O câmbio recuou 8,3% em um ano, mantendo o dólar abaixo de R$ 5,30. O movimento favorece setores dependentes de importação, como eletrônicos e eletrodomésticos. Já o desemprego está no menor nível da série do IBGE, e a massa salarial subiu 5,5% no segundo trimestre.
Mas o crédito ainda pesa. Os juros para pessoas físicas chegaram a 58,3% ao ano, o maior índice para o período desde 2017. O endividamento atinge 30,5% das famílias, e a inadimplência, 13,2%.
Lideranças nas vendas
A CNC prevê maior demanda em cinco segmentos:
Hiper e supermercados — R$ 1,32 bilhão
Eletroeletrônicos e utilidades domésticas — R$ 1,24 bilhão
Móveis e eletrodomésticos — R$ 1,15 bilhão
Vestuário e acessórios — R$ 950 milhões
Farmácias e cosméticos — R$ 380 milhões
Os três primeiros respondem por 68% de toda a movimentação esperada.
A entidade aponta também um consumidor mais cauteloso, que compara preços com antecedência e aproveita promoções fora da data oficial. O e-commerce deve concentrar grande parte das compras, mas o varejo físico segue forte em setores básicos.
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário é de crescimento moderado. “Vivemos um momento de cautela, mas ainda assim haverá expansão nas vendas. O câmbio mais baixo contribui, embora estimule também compras internacionais”, afirmou.



