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InicioColunistasCrônicas do José RochaA ÚLTIMA TELHA DE PALENÇA – Balneário do Parque 10 de Novembro

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A ÚLTIMA TELHA DE PALENÇA – Balneário do Parque 10 de Novembro

Por José Rocha – Gosto de fazer longas caminhadas. Lembro, com saudades, do Balneário do P10 e sou um caçador de relíquias da nossa Manaus antiga. Num belo domingo de 2014, os três se entrelaçaram: caminhei da Cidade Nova até as ruínas do balneário — e ali encontrei a última telha remanescente desde a sua inauguração.

Na época, eu morava na New City, onde mantinha um pequeno negócio com o meu filho mais velho. De repente, sem planejamento, senti vontade de fazer uma longa caminhada em direção à Avenida das Torres, seguir pela Efigênio Sales e chegar ao Conjunto dos Jornalistas para visitar minha netinha.

Ao chegar ao cruzamento da antiga Rua Recife, olhei para a esquerda e avistei as ruínas do balneário do Parque Dez de Novembro. Um misto de curiosidade e medo me empurrou para dentro do local completamente vazio — e isso aumentava ainda mais o receio, pois ainda era cedo, numa manhã de domingo.

Registro histórico: a obra foi iniciada em 10/11/1938, na administração do interventor Álvaro Maia, colocado no poder por Getúlio Vargas. O idealizador foi o prefeito Antônio Maia, seu irmão, que iniciou os trabalhos. O prefeito Paulo Marinho deu continuidade, e o balneário foi inaugurado em 19/03/1943, no aniversário de Vargas, pelo prefeito Antovila M. Vieira. O nome Parque Dez de Novembro homenageia o dia 10/11/1930, marco da consolidação do novo regime e início da chamada Era Vargas. O balneário não existe mais: o Igarapé do Mindu transformou-se em “esgoto a céu aberto”. Mas o nome deu origem ao bairro do P10.

De frente às ruínas do antigo “Bar-Dancing” — um pavilhão de estilo colonial — a curiosidade vencera o medo e me fez avançar entre os escombros. Encontrei dezenas de telhas quebradas da marca Grillo. Vasculhei todos os cantos, mas não encontrei nenhuma inteira para integrar minha coleção.

Do lado de fora, avistei um banco quebrado, remanescente da época da inauguração, e fui olhar mais de perto, lamentando a destruição de parte da memória afetiva dos manauaras. Ao lado do banco havia uma palmeira. Quando levantei um de seus galhos, encontrei, bem escondida, uma legítima telha de barro cozido, tipo Marselha, da Fábrica de Cerâmica de Palença (Silva & Filgueiras, Lisboa, Portugal), pesando cerca de três quilos e medindo aproximadamente 25 x 45 cm.

Foi um achado e tanto. Não trazia a data de fabricação, mas fez parte do telhado por mais de setenta anos, mantendo notável conservação. Ela permanece comigo até hoje. Essa descoberta, inclusive, foi incluída no Trabalho de Arqueologia do estudante português Avelino José Aldeano do Nascimento, da Universidade Nova de Lisboa, e consta no site Almada Virtual Museu.

Não sei se foi coincidência ou destino, mas naquele dia uma força estranha me guiou por treze quilômetros — em duas horas e quarenta minutos — até que eu adentrasse, quase por acaso, no balneário da minha infância e adolescência, o Parque Dez de Novembro, e encontrasse ali a Última Telha de Palença.

Fonte & Fotos: Jornal A Crítica
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O autor é manauara, administrador (UFAM), blogueiro (BLOGDOROCHA), criador de conteúdos digitais, escritor e pesquisador da nossa cultura.

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