As startups Luzia e Zapia, responsáveis por chatbots de inteligência artificial amplamente utilizados no WhatsApp, protocolaram no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) um pedido de medida preventiva contra a Meta. As empresas afirmam que as novas regras do WhatsApp Business podem limitar de forma drástica a atuação de soluções independentes de IA a partir de 2026.
A iniciativa foi revelada pelo blog Pipeline, do Valor Econômico. O Cade abriu um procedimento preparatório e estabeleceu o prazo de 8 de dezembro para que a Meta apresente esclarecimentos sobre a atualização dos termos de serviço.
A mudança determina que empresas cujo produto principal seja inteligência artificial não poderão utilizar o WhatsApp Business Solution a partir de janeiro de 2026. Com isso, contas comerciais voltadas para serviços de IA poderão ser suspensas.
Para Luzia e Zapia, a medida coloca em risco a continuidade de seus serviços utilizados diariamente por milhões de usuários e favorece o Meta AI, o assistente nativo do WhatsApp. As startups dizem que a decisão contrasta com a postura adotada pela própria Meta nos últimos anos, quando a plataforma incentivou a integração de soluções de IA.
O CEO da Luzia, Álvaro Martínez, afirmou que o objetivo não é confrontar a empresa, mas garantir que o Cade compreenda os impactos da decisão “para os operadores independentes e para a concorrência no setor”.
A Meta sustenta que a API do WhatsApp não foi desenvolvida para suportar chatbots de IA e que esse uso poderia causar “pressão severa” nos sistemas da companhia. Segundo a empresa, a atualização não afeta negócios que utilizam IA de forma complementar, como para atendimento automatizado.
A Luzia, fundada em 2023 em Madri, tem forte presença no Brasil, que concentra cerca de metade dos mais de 83 milhões de usuários globais do serviço. A empresa recebeu, em maio, um investimento de US$ 13,5 milhões da Prosus, o que permitiu a abertura de uma unidade em São Paulo.
A Zapia, criada no Uruguai, também mira o mercado brasileiro como principal foco de expansão. Em abril, a startup captou US$ 7 milhões, igualmente com participação da Prosus, para desenvolver novos recursos e acelerar o crescimento.
Ambas oferecem assistentes que realizam tarefas como criação de imagens, transcrição de áudios e buscas rápidas diretamente no WhatsApp, sem necessidade de aplicativos externos.



