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Ações da Azul caem após avanço da recuperação judicial nos EUA

As ações da Azul Linhas Aéreas registraram forte queda no pregão desta segunda-feira (15) na Bolsa de Valores do Brasil (B3), em meio ao avanço do processo de recuperação judicial da companhia nos Estados Unidos. Por volta das 12h30, os papéis da empresa recuavam 8,49% e eram negociados a R$ 0,97.

Na última sexta-feira (12), a Azul informou ao mercado que a Justiça norte-americana aprovou o plano de recuperação judicial apresentado no âmbito do Chapter 11, mecanismo equivalente à recuperação judicial no Brasil. De acordo com a companhia, a proposta obteve mais de 90% de aprovação em todas as classes de credores habilitados a votar.

Com a decisão, a empresa avança no processo iniciado em maio deste ano, quando recorreu à Justiça dos Estados Unidos para reorganizar suas obrigações financeiras. A Azul foi a última, entre as principais companhias aéreas brasileiras, a ingressar com pedido de recuperação judicial.

Segundo a empresa, a reestruturação prevê uma redução superior a US$ 3 bilhões em dívidas, além de cortes em compromissos relacionados a arrendamentos de aeronaves, despesas com juros anuais e custos recorrentes da frota. O plano aprovado inclui ainda revisões em contratos de leasing e acordos comerciais, medidas que, segundo a companhia, devem ampliar a flexibilidade financeira e criar condições para um crescimento sustentável após a saída do processo.

Outro ponto central da reestruturação é a previsão de uma oferta pública de ações que pode alcançar até US$ 950 milhões. A operação envolve, entre outras etapas, a conversão de créditos de determinados credores em participação acionária, o que pode resultar em forte diluição dos acionistas minoritários.

Na avaliação do mercado, a aprovação do plano aproxima a Azul do encerramento da recuperação judicial. O Bradesco BBI avalia que a companhia deverá apresentar um balanço mais organizado após o fim do processo, com redução da dívida total por meio da conversão em ações e novos aportes de capital. Analistas, no entanto, alertam para o impacto negativo da diluição sobre os investidores atuais.

A Azul estima que a saída do Chapter 11 ocorra no início de 2026. A empresa optou por recorrer à legislação dos Estados Unidos por considerá-la mais flexível e pelo fato de a maioria de seus credores ser estrangeira, com contratos regidos pelo foro do estado de Nova York.

COLUNISTAS

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