Por Vinícius Andrade – Eu acredito que não poderia haver momento melhor para retornar com as matérias especiais do que com uma série especial. Nesse caso, It – Bem-Vindos a Derry. Uma série da qual eu não esperava absolutamente nada — na verdade, eu nem queria assistir — e acabei sendo sugado por, possivelmente, a melhor série do ano.
Mas não vamos nos apressar. Bora destrinchar aqui os melhores momentos dessa produção que acabou comigo psicologicamente.
1 – Primeiro episódio impactante e protagonistas cativantes.

Eu não poderia iniciar essa matéria e não colocar como centro dela o primeiro episódio da série onde tudo aquilo que o filme não conseguiu, ela fez e fez com louvor. Extremamente impactante, muito bem dirigido e com um final de deixar cada um no chão.
A experiência de assistir a esse primeiro episódio é única — algo surreal. Poucas emissoras conseguem entregar um nível de excelência como o que a HBO coloca em suas séries. O episódio introduz e cativa a gente com personagens carismáticos, engraçados e inteligentes e, ao fim da jornada — ainda no primeiro episódio — simplesmente os elimina como se fosse a coisa mais fácil do mundo.
Eu mesmo me apeguei a eles e acreditei que veria muito mais daqueles personagens, mas a dona HBO veio e me deu um tiro de realidade, mostrando que a cidade de Derry não é para os fracos e que, aqui, as crianças não serão poupadas.
Tivemos um total de dois filmes de It, e nenhum deles conseguiu transmitir a sensação que a série entrega aqui. É um desespero constante, um anseio de que a qualquer momento algo terrível pode acontecer — e tudo isso é extremamente bem dirigido e muito bem atuado. As crianças, todas elas, estão simplesmente maravilhosas.
Um primeiro episódio de qualidade excelente.
2 – O exército em Derry e a ligação com o universo de Stephen King.
Para quem é fã, curte um ótimo fan service e ama os livros do autor, It é um prato cheio de referências — e mais do que isso. A série introduz elementos e confirma que Derry faz parte do mesmo universo de O Iluminado, Doutor Sono e talvez muitos outros, já que temos até menções a O Nevoeiro.
E olha que eu nem sou tão fã de O Iluminado e amo Doutor Sono. Sim, eu sei: você pode se perguntar como alguém pode não gostar de O Iluminado e amar Doutor Sono, sendo que um é continuação do outro. Ah, coisas da vida, gente. Eu acho Doutor Sono mais cativante, com uma história que me conquista muito mais do que aquela ambientada no Hotel Overlook.
Sobre o papel do exército na trama, eu jurava que seria um peso para a série — aquele arco chatíssimo, que estaria ali apenas por estar e que, a cada episódio, seria um porre de assistir. Mas eu me enganei. Eles têm propósito, e tanto esse arco quanto o de Dick Hallorann, personagem de O Iluminado, são extremamente importantes para a trama.
E sobre o Dick: que personagem foda. Eu não me admiraria nem um pouco se a HBO anunciasse uma série própria dele, ambientada antes dos eventos de O Iluminado. Confesso que seria algo bem interessante de acompanhar.
Quanto à ideia de colocar o exército atrás do It para usá-lo como uma arma de destruição, eu achei sensacional. Até porque não é algo impossível de acontecer. Às vezes, as pessoas são os verdadeiros monstros.
3 – O novo Grupo.

Como eu disse lá no início da matéria, a série me surpreendeu positivamente pela brutalidade e pela extrema coragem de matar, logo de cara, três dos possíveis protagonistas. Isso foi algo que realmente me fez engrenar.
Após o segundo filme, eu lembro de ter ficado com um gosto extremamente amargo, porque esperei terror e recebi uma comédia. Já depois do massacre do primeiro episódio, somos apresentados aos novos integrantes que passam a assumir o lugar de Phill, Teddy e Sussie.
Esses são Marge, Rich e Will, que ocupam esse espaço de maneira exemplar. Todo o elenco infantil aqui é extremamente talentoso; todos eles têm seus momentos para brilhar e entregam um verdadeiro show na série. Seja nos momentos de desespero, seja nas interações entre eles, tudo funciona muito bem.
Quero deixar uma menção honrosa aos personagens Rich e Marge, que entregam uma — se não a — melhor cena da temporada. Parabéns aos dois atores: eu chorei, e não foi pouco. Todas as crianças estão ótimas. Espero que sejam os protagonistas da próxima temporada — claro que é muito improvável, mas não custa sonhar.
4 – O passado de Bob Gray e a relação com sua filha.
É nesse episódio que a série decide dar contexto ao momento em que a entidade assume a persona de Pennywise, o Palhaço Dançarino. Por que um palhaço? Por qual motivo essa seria a melhor forma de atrair suas vítimas? Tudo isso é respondido antes mesmo da abertura da série, ao apresentar Bob Gray e sua filha.
Um homem que apesar das dificuldades de ser pai solteiro e claramente está enfrentando as dificuldade da vida da melhor maneira possível. A cena dele com sua filha é algo de encher se coração, ele amava sua filha e ela era extremamente feliz ao seu lado e a coisa enxergou algo nele, algo que pudesse usar para atrair suas vítimas e infelizmente ela o matou e distorceu tudo de bom que ele fazia ao usar seu personagem.
Na fase adulta, a filha de Bob Gray se convence de que o pai foi possuído — e não morto —, e é isso que desencadeia toda a merda que acontece ao longo da série, inclusive o fatídico episódio 8.
Toda essa desgraça começa porque a doida jura que uma entidade cósmica é o próprio pai. Mana, tu jura? Tu jura que tu viu essa coisa matar, estripar e fazer os caralhos com várias crianças, e teu pai estava lá vendo tudo como se fosse apenas uma pessoa possuída?
Eu gosto muito das cenas em que Pennywise usa os números que Bob Gray apresentava em seus shows. Dá para enxergar claramente a diferença entre Bob Gray e A Coisa: Bob usava a dança para alegrar, enquanto A Coisa a utiliza para atormentar — e assim por diante. A direção da série é simplesmente impecável.
Eu acho que não poderia deixar de falar sobre o episódio do Black Spot, que é o auge da série. A HBO precisa urgentemente colocar um psicólogo à disposição de seus assinantes, porque esse episódio é feito para destruir qualquer um.
Parabéns, HBO, por quebrar o nosso psicológico a cada nova série que você lança. E o pior de tudo é que a gente continua assistindo. Será que gostamos de sofrer?
5 – A entidade Cósmica (Pennywise)

A imagem acima representa exatamente aquilo que eu sempre esperei dos filmes: uma entidade cósmica brutal e assassina. Nos longas, parecia que A Coisa evitava o terror mais pesado por medo de perder bilheteria — principalmente no segundo filme, que abusou de artifícios cômicos e acabou estragando todo o clima que poderia ter sido construído.
Aqui na série, isso simplesmente não existe. Pennywise aparece, te viu? Morreu.
Cara, Bill Skarsgård entrega algo que muito dificilmente será superado um dia em outra produção. Os trejeitos da criatura, os olhos revirados e a dedicação do ator em sempre cair de cabeça no papel fazem com que sua interpretação esteja no auge da carreira.
Estou mais do que pronto para uma segunda temporada. Após toda essa análise, afirmo sem medo: essa é a melhor série de 2025 para mim.
6 – Menção honrosa para a abertura.
Menção mais que honrosa para a abertura que ficara para sempre na minha memória. Consigo até ouvir a música tocando na minha cabeça. Contagiante, viciante e muito linda de se ver. Traços e desenhos tão belos para uma série que é o oposto da abertura. Haha.
Série: It: Bem-Vindos a Derry
Sinopse: Na década de 1960, eventos estranhos acontecem na cidade de Derry ligados ao palhaço Pennywise, uma figura misteriosa que assombra o local.
Data de Lançamento: 26/10/2025
Elenco: Bill Skarsgård, Taylour Paige,
Chris Chalk, Blake Cameron James, Matilda Lawler, Arian S. Cartaya, James Remar.
Número de Episódios: 08
Streaming: HBO Max
O autor é estudante, crítico de cinema e fã de filmes e séries



