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quarta-feira, junho 3, 2026
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Topless em Manaus

Por José Rocha – Era início dos anos 1980 e Manaus fervia — não só de calor, mas de novidade. Enquanto o Brasil surfava na onda da liberdade pós-ditadura, com novelas mostrando ousadias nunca vistas e praias do Sul e Sudeste adotando o topless como bandeira de igualdade feminina, aqui a moda também aportou, com sua dose de surpresa e rebuliço.

Chamavam de topless. Outros, mais chiques, diziam monoquini. Nós, manauaras, chamávamos era de ousadia pura.

Na Praia Dourada, a coisa ficou séria: organizaram até um concurso de topless. Foi o suficiente para a cidade inteira chiar — e para o governo estadual mandar suspender o evento. O delegado Orlando Santiago apareceu por lá com equipe armada, farda engomada e uma frase definitiva: estava proibido. Mario Souza, dono da praia, teve que engavetar o espetáculo.

E a macharada ficou olhando de longe, com cara de fome… e babando. De raiva, claro.

Na Ponta Negra, o cenário não foi diferente. Quem insistia em tirar a parte de cima do biquíni acabava dentro da viatura. Mesmo assim, todo fim de semana os jornais estampavam fotos e reportagens sobre o assunto — como estas que republiquei — sem censura e sem pudor.

Curioso é que nunca existiu lei clara proibindo o topless. O máximo que encontraram foi o Artigo 233 do Código Penal, que trata de atentado ao pudor e se refere a sexo em público, masturbação ou urinar na rua. Nada a ver com uma mulher pegar sol no peito. Mas era com essa regra torta que a polícia prendia, advertia e moralizava.

Para muita gente daquela época, as jovens que ousaram mostrar os seios estavam apenas reivindicando igualdade:
— Se os homens podem, eu também posso!

Hoje vemos outras liberdades ocupando o espaço público — beijos entre homens, entre mulheres, demonstrações de afeto sem escândalo, sem perseguição. Comparado a isso, o topless é quase uma lembrança inocente.

E, se querem saber: eu acho que deveria ser liberado.

Só não sei se as jovens de hoje teriam a mesma coragem que aquelas da minha juventude, banhadas de sol e história.

Passados 45 anos, a praia está poluída — e o topless ficou apenas na nossa memória.

Foto: Arquivo do Jornal A Crítica

O autor é manauara, administrador (UFAM), blogueiro (BLOGDOROCHA), criador de conteúdos digitais, escritor e pesquisador da nossa cultura.

Os artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores. É permitida sua reprodução, total ou parcial desde que seja citada a fonte.

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